Entrada de André Mendonça no TSE deve frear investida da Corte contra ‘fake news’
Segundo especialista, novo ministro titular na Corte Eleitoral promete equilibrar a correlação de forças no debate sobre o controle de conteúdos na internet

A chegada do ministro André Mendonça ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que será formalizada nesta terça-feira (25), promete apimentar o debate na Corte sobre o combate às ‘fake news’, além de mudar a correlação de forças no Tribunal que, até o mês passado, era comandado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes.
Com perfis absolutamente distintos, André Mendonça assume, justamente, a vaga de Moraes no TSE. Segundo o especialista em Direito Eleitoral, Antonio Carlos de Freitas Jr,a troca de ministros do Supremo na Justiça Eleitoral acrescenta uma visão até então minoritária em assuntos como o controle de conteúdos na internet.
“O ministro André Mendonça tem sido muito crítico quanto, vamos dizer assim, a uma versão mais arrojada do Tribunal Superior Eleitoral, no ataque às fake news. O ministro sempre condenou as fake news, mas ele vai botar uma pimenta, um sabor, um tempero diferente nesse debate, que é a questão da necessidade de uma autocontenção no Tribunal, de não querer ser o juiz da verdade”, avalia o advogado especialista na Justiça Eleitoral..
Com a saída de Moraes, a presidência da Corte passou para as mãos da ministra Cármen Lúcia, que também compartilha de um perfil bem diferente de seu antecessor. Mesmo assim, a magistrada elencou como uma das prioridades da corte a manutenção do trabalho que vinha sendo conduzido pelo ministro na tentativa de frear a proliferação de notícias falsas que possam pesar no resultado das urnas.
Inelegibilidade de Bolsonaro ganha ‘leve’ vantagem
Ao lado de Nunes Marques, André Mendonça é o segundo ministro indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) a ocupar um assento na Justiça Eleitoral. A Corte tem sido alvo de recursos da defesa do ex-presidente, na tentativa de reverter a inelegibilidade dele e do general Braga Netto, candidato a vice-presidente na chapa que tentou a reeleição, em 2022
Na avaliação do advogado Freitas Jr., a saída de Moraes e a entrada de Nunes Marques e André Mendonça altera a correlação de forças na Corte. Apesar de não representar uma vantagem clara ao ex-presidente, a mudança pode representar uma sobrevida aos recursos apresentados pela defesa de Bolsonaro.
Bolsonaro inelegível
A inelegibilidade de Bolsonaro e Braga Netto foi determinada após a participação em atos considerados políticos durante as comemorações oficiais do Bicentenário da Independência, que foram financiados com dinheiro público e transmitidos ao vivo pela televisão estatal. O TSE considerou que os eventos foram usados como palanque político, o que configura abuso de poder.
A outra condenação contra o ex-presidente, também julgada pelo TSE, é relacionada à reunião feita com embaixadores no Palácio do Planalto, em 18 de julho de 2022, meses antes da eleição presidencial. Na ocasião, Bolsonaro repetiu suspeitas sobre as eleições de 2018 e a segurança das urnas eletrônicas. As informações já haviam sido desmentidas por órgãos oficiais. Por esse caso, a corte tornou Bolsonaro inelegível por oito anos, até 2030.
Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio



