Eliziane Gama diz ter recebido mais de 2 mil ameaças em meio à entrega de relatório na CPMI do 8 de janeiro
Em Belo Horizonte, senadora se reuniu contra outras parlamentares mulheres que foram alvo de violência política de gênero

Relatora da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do 8 de janeiro, a senadora Eliziane Gama (PSD-MG) confidenciou ter recebido mais de 2 mil ameaças na reta final dos trabalhos da comissão. O documento assinado por ela e aprovado pelos demais integrantes do colegiado pediu o indiciamento de 61 pessoas, dentre elas o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), envolvidos nos atos de vandalismo em Brasília, no início do ano.
A parlamentar se reuniu, nesta sexta-feira (10), na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), com deputadas mineiras que também vêm sofrendo ameaças de morte e de estupro por conta de suas ações enquanto parlamentares.
"Infelizmente a violência política de gênero no Brasil, é uma realidade cotidiana. Basta vocês verem, por exemplo, todo o processo da CPMI. As mulheres foram as mais atacadas, a começar por mim, como relatora. O ataque é frontal, às vezes com uma ação, às vezes com palavras, mas, infelizmente, de uma forma terrível", relembra.
No dia da apresentação do relatório final aos demais integrantes da CPMI, a senadora Eliziane Gama precisou de escolta policial, desde o Maranhão, seu estado, até chegar a Brasília. E recorda que as ameaças aconteceram durante todo o trabalho da comissão.
"No meio da CPI tivemos que parar para ir na Polícia Federal fazer registro e pedir uma investigação, tanto na PF, como no Supremo Tribunal Federal (STF). E, depois da apresentação do relatório, eu nunca vi algo parecido. É meio que surreal, eu recebi pelo menos 2.000 mensagens ameaçadoras, seja de agressão verbal, moral ou seja de ameaça mesmo de morte", afirma a senadora.
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"Infelizmente, essa é uma prática diária, mas estou vendo aqui várias mulheres do nosso lado, nós somos resistentes. Por mais que tentem nos calar ou nos ameaçar eles estão simplesmente perdendo tempo e ainda nos dando mais combustível de guerra e de luta. Porque quanto mais se ataca uma mulher, mais ela tem força, mais ela vai para frente, mais ela realmente faz o seu papel como mulher na sociedade", completa.
Eliziane Gama esteve, ao lado do deputado federal Rogério Correia (PT) - também integrante da CPMI - na ALMG para apresentar aos parlamentares mineiros o relatório final da comissão.
Na ocasião, ela disse que a CPMI não terminou em pizza e que, agora, o Judiciário irá analisar os documentos e depoimentos colhidos pelos parlamentares para decidir sobre eventuais punições.
"Todo esse acervo probatório é muito substanciado. Ele tem um nível de consolidação muito grande, que aquele jargão popular, que se diz que sempre de que 'CPI acaba em pizza', essa CPI não está acabando em pizza. Ao contrário, está acabando em muito aprofundamento e em muito encaminhamento por parte desses órgãos no Brasil", afirma.
Jornalista graduado pela PUC Minas; atua como apresentador, repórter e produtor na Rádio Itatiaia em Belo Horizonte desde 2019; repórter setorista da Câmara Municipal de Belo Horizonte.
Editor de política. Foi repórter no jornal O Tempo e no Portal R7 e atuou no Governo de Minas. Formado em Comunicação Social pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), tem MBA em Jornalismo de Dados pelo IDP.

