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Taxação dos EUA: Lula e Flávio discutem relação com governo Donald Trump

Candidatos trocaram acusações sobre a atuação diante das tarifas americanas e a exploração de terras raras; presidente acusou família Bolsonaro de subordinação aos interesses dos Estados Unidos

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Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) • Renato Pizzutto/Band

No debate presidencial da Band, realizado neste domingo (18), em São Paulo, a taxação de produtos brasileiros pelos Estados Unidos e a relação com o governo de Donald Trump provocaram um confronto entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). Os candidatos trocaram acusações sobre a atuação diante das medidas comerciais americanas e discutiram a possibilidade de investimentos dos Estados Unidos na exploração de minerais estratégicos brasileiros.

Lula questionou se Flávio pretendia entregar aos americanos o acesso às terras raras brasileiras, minerais utilizados na fabricação de baterias, chips e celulares. O presidente também acusou a família Bolsonaro de atuar em favor dos interesses americanos e afirmou que o Brasil precisa conduzir a exploração de seus recursos naturais de acordo com os interesses nacionais.

“É notável pelo povo brasileiro que a família Bolsonaro está subordinada aos interesses americanos”, declarou Lula. O petista também mencionou a atuação do irmão do senador nos Estados Unidos e o acusou de pressionar contra o Brasil.

Flávio rebateu as críticas e afirmou que viajou aos Estados Unidos para defender empresas e produtos brasileiros diante das tarifas. Segundo o candidato do PL, o governo Lula não enviou representantes para atuar em defesa dos setores afetados pelas medidas comerciais americanas.

“Eu fui até lá nos Estados Unidos para defender as empresas e os produtos brasileiros”, afirmou o senador. Ele também acusou Lula de ter procurado Trump para defender organizações criminosas, em referência à discussão sobre a classificação do Comando Vermelho (CV) e do Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas pelos Estados Unidos.

O candidato do PL defendeu a cooperação entre países das Américas no combate ao tráfico de drogas e ao crime organizado. Flávio argumentou que a troca de informações e a asfixia financeira das organizações criminosas devem fazer parte da estratégia de segurança pública.

Tarifas e interesses brasileiros

As medidas comerciais americanas estão entre os pontos de tensão na relação entre Brasília e Washington. Em julho, o governo Trump anunciou sobretaxas adicionais sobre produtos brasileiros, que, em determinadas situações, podem chegar a 37,5%. O governo brasileiro contestou as medidas e retomou as negociações com os Estados Unidos após uma conversa entre Lula e Trump, em agosto.

Durante o debate, Lula defendeu investimentos na indústria nacional e na exploração de minerais estratégicos, além de afirmar que o país deve ampliar sua capacidade tecnológica e industrial. O presidente citou as terras raras como uma oportunidade de desenvolvimento econômico e questionou as condições em que eventuais investimentos americanos seriam realizados.

Flávio, por sua vez, sustentou que sua atuação nos Estados Unidos teve como objetivo defender os interesses comerciais brasileiros. O senador também associou a cooperação internacional contra o crime organizado à proteção da soberania nacional.

O embate sobre as tarifas ocorreu em meio a uma discussão mais ampla sobre produtividade e desenvolvimento econômico. Ao responder a uma pergunta sobre como aumentar a produtividade brasileira, Lula defendeu investimentos em inovação, indústria digital, economia verde e formação profissional.

Flávio criticou o histórico dos governos petistas e apresentou uma proposta de mobilidade social baseada em qualificação profissional, acesso a vagas de emprego e financiamento para pequenos empreendedores.

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Jornalista pela PUC Minas e pós-graduanda em Política e Relações Internacionais. Atuou na Rede Minas, no Estado de Minas e em assessoria de imprensa, com experiência em reportagem, produção de conteúdo e cobertura de temas de interesse público

 

 

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