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Simões admite déficit nas estradas de MG e cobra investimento do governo federal

Governador relatou ter perdido irmão, pai e mãe em acidentes rodoviários; Roscoe defendeu priorizar trechos de maior fluxo e criticou o preço dos pedágios

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Flávio Roscoe e Mateus Simões durante debate entre candidatos ao governo de Minas Gerais
Flávio Roscoe (PL) e Mateus Simões (PSD) debateram a conservação das rodovias estaduais de Minas Gerais • Reprodução: Band

A situação das rodovias mineiras encerrou o primeiro bloco do debate entre os candidatos ao Governo de Minas Gerais, realizado pela Band neste domingo (16).

O empresário Flávio Roscoe (PL) escolheu o tema e questionou o governador Mateus Simões (PSD) sobre como mudar o cenário de conservação das estradas estaduais, que somam cerca de 24 mil quilômetros.

Simões abriu a resposta com um relato pessoal. O governador disse ter perdido o irmão mais velho em um acidente rodoviário em 1988, quando a vítima tinha 22 anos, e o pai e a mãe em um mesmo acidente, em 1996. "Para mim, estrada não é sobre desenvolvimento apenas, é sobre vida das pessoas", afirmou.

Na sequência, apresentou os números da gestão. Segundo o candidato do PSD, o estado recuperou 10 mil dos 24 mil quilômetros de malha asfáltica, restando 14 mil quilômetros que ainda precisam de intervenção.

Ele afirmou que o volume de investimentos em recuperação asfáltica nos últimos anos foi o maior das últimas três décadas, mas reconheceu que não foi suficiente.

O governador disse ainda que o estado aplica cerca de R$ 2 bilhões por ano no setor, quando o ideal seria pelo menos R$ 4 bilhões, e descartou aumento de impostos como forma de cobrir a diferença.

"Quem disser que tem solução mágica para isso está tentando enganar as pessoas", declarou, defendendo que o caminho é ampliar a geração de riqueza no estado para elevar a arrecadação.

Pedágios e trechos prioritários

Na réplica, Roscoe afirmou que as estradas serão prioridade em uma eventual gestão e defendeu o mapeamento dos trechos de maior fluxo para concentrar os primeiros reparos.

Segundo o candidato do PL, a recuperação da malha viária atrairia investimentos que, por sua vez, financiariam as etapas seguintes das obras.

O empresário também criticou a política de pedágios. Para ele, tarifas foram aplicadas em rodovias sem grande volume de tráfego, o que teria encarecido o custo para o usuário.

Cobrança ao governo federal

Na tréplica, Simões direcionou as críticas à União. O governador usou a expressão "consórcio do atraso" para se referir a candidaturas que, segundo ele, evitam cobrar o governo federal, e questionou a ausência de investimentos em rodovias federais que cortam o estado, entre elas a BR-262, a BR-381, a BR-040, a BR-251 e a BR-116.

Ele citou o acidente ocorrido na madrugada deste domingo na BR-040 e afirmou que Minas repassa cerca de R$ 500 milhões mensais à União, além de valor equivalente em juros, sem retorno proporcional em obras federais no estado.

Um ônibus de turismo que havia saído de Belo Horizonte com destino a Copacabana tombou por volta das 4h30 no km 91 da BR-040, em Petrópolis, na Região Serrana do Rio de Janeiro.

O acidente deixou 10 mortos, segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF). O veículo transportava dezenas de passageiros e as causas do tombamento são apuradas pela Polícia Civil fluminense.

O cenário eleitoral em Minas Gerais

O debate da Band foi o primeiro entre os candidatos ao governo mineiro e ocorreu no primeiro dia oficial de campanha. Participaram Alexandre Kalil (PDT), Cleitinho Azevedo (Republicanos), Flávio Roscoe (PL), Gabriel Azevedo (MDB) e Mateus Simões (PSD). Patrus Ananias (PT) foi convidado, mas não compareceu.

Simões assumiu o governo em março, após a renúncia de Romeu Zema (Novo), que deixou o cargo para disputar a Presidência.

Na pesquisa Genial/Quaest divulgada em 28 de julho, Cleitinho liderava com 35% das intenções de voto, seguido por Kalil, com 12%, e Patrus, com 10%.

Simões aparecia com 6%, Gabriel Azevedo com 4% e Roscoe com 2%. O levantamento ouviu 1.482 eleitores entre 22 e 26 de julho, tem margem de erro de 3 pontos percentuais, nível de confiança de 95% e está registrado no TSE sob o número MG-03490/2026. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro.

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Jornalista formado em Comunicação Social pela Universidade Federal de Viçosa (UFV). Atuou com produção de conteúdo editorial e cobertura de pautas voltadas a tecnologia, negócios e comportamento digital. Cobre as eleições de 2026 para a Itatiaia.

 

 

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