Quem representará a direita nas próximas eleições com a derrota de Flávio Bolsonaro?
O senador Flávio Bolsonaro terminou a corrida presencial, no segundo turno, com 48,22% dos votos, ante 51,78% de Lula

Com a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e, portanto, a derrota do bolsonarismo no pleito, a direita pode se fragmentar nos próximos quatro anos e caminhar para personagens para além do sobrenome do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O senador Flávio Bolsonaro terminou a corrida presencial, no segundo turno, com 48,22% dos votos, ante 51,78% de Lula.
Assim como se especulava no início deste ano, Tarcísio de Freitas (Republicanos), governador reeleito de São Paulo, pode se tornar um nome forte do campo conservador para o próximo pleito, em 2030, quando haverá escassez de candidaturas fortes à esquerda.
A família Bolsonaro também não deve sair de cena, e Flávio desponta como o líder do bolsonarismo, apesar de evitar, inicialmente, entrar em rota de colisão com Tarcísio. Outro nome que pode ganhar possível tração para a próxima eleição é Renan Santos (Missão), que vem registrando alta de interesse nas redes sociais.
A eleição de Lula ainda marca um respiro da esquerda na América Latina, que teve vitórias importantes para os conservadores neste ano – mas também representa o último mandato do maior líder popular do continente, abrindo espaço para que a direita cresça nos próximos quatro anos.
O avanço da direita no Brasil, porém, é expressivo quando se leva em consideração o Congresso Nacional. O PL cresceu na Câmara e, principalmente, no Senado, com as maiores bancadas nas duas Casas Legislativas. Junto ao Noivo, serão 131 deputados, representando um quarto da Câmara Federal, e 32 senadores, representando 39% da Casa Alta do Congresso Nacional.
Com isso, a governabilidade do presidente Lula pode ser ameaçada, apesar da vitória expressiva nas urnas e no crescimento maciço da votação em comparação no primeiro turno, com 11 milhões de votos a mais no fim do pleito do que no início da eleição.
Jornalista pela UFMG, Lucas Negrisoli é editor de política. Tem experiência em coberturas de política, economia, tecnologia e trends. Tem passagens como repórter pelo jornal O Tempo e como editor pelo portal BHAZ. Foi agraciado com o prêmio CDL/BH em 2024.



