Presidente do PSDB-MG diz que partido só não apoiaria Patrus e Simões ao Governo de Minas
Paulo Abi-Ackel afirma que as conversas com Alexandre Kalil estão avançadas e que o afastamento do pedetista em relação ao PT e ao bolsonarismo é o que aproxima os dois lados

O presidente estadual do PSDB, deputado federal Paulo Abi-Ackel, afirmou nesta terça-feira (28) que o partido descarta apoiar apenas dois nomes na disputa pelo Governo de Minas: o candidato do PT, Patrus Ananias, e o pré-candidato do PSD, Mateus Simões.
A declaração foi dada à Itatiaia durante a convenção estadual do partido, em Belo Horizonte, que oficializou as chapas tucanas para a Câmara dos Deputados e para a Assembleia Legislativa nas eleições de 2026.
"Todos os demais candidatos, exceção ao PT e ao Mateus Simões, com quem nós não temos conversado, são alternativas", disse o dirigente, ao ser questionado sobre possíveis caminhos caso a aliança com o PDT não avance.
Entre todas as conversas em curso, uma se destaca. Abi-Ackel confirmou que o diálogo com o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT) é o mais adiantado, embora nenhum acordo tenha sido fechado. "Há conversas muito avançadas com Alexandre Kalil, mas, como o presidente nacional acabou de dizer, é nosso dever aguardar o fim do processo aqui em Minas, que se atrasou demais", afirmou.
O que aproxima tucanos e pedetistas
Para o presidente estadual, o ponto de convergência com Kalil é a posição que o ex-prefeito adota diante dos dois polos que dominam a disputa nacional. "Nós temos sentido identificação no posicionamento dele e no nosso", disse. "A grande chave desse novo volume de conversas com Alexandre Kalil é o afastamento dele em relação ao PT e em relação ao bolsonarismo."
Questionado sobre o diálogo com outros nomes, como o vereador Gabriel Azevedo (MBD), Abi-Ackel afirmou que o partido mantém contato amplo, mas sem equiparar essas conversas à do PDT.
"Política se faz através do diálogo, a arte da conversa. É natural que a gente converse com todos", disse, lembrando que vários pré-candidatos têm passagem pelo PSDB ou relação pessoal com quadros da legenda. "Não posso também negar que nós estamos com uma conversa mais avançada e mais profícua com o ex-prefeito de Belo Horizonte."
Ele também descartou que a definição tucana esteja condicionada à decisão do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), que lidera as pesquisas e ainda não confirmou se disputará o governo. Segundo Abi-Ackel, o partido reconhece a força do senador, mas o impasse tem outra origem.
"Não depende, em hipótese nenhuma, da questão do Cleitinho. Depende da formação dos palanques e das muitas indefinições que as siglas ainda possuem em relação à formação das chapas", pontua.
Aécio mantém a indefinição e fixa prazo
Presidente nacional do PSDB, Aécio Neves participou da convenção sem anunciar se disputará uma vaga ao Senado. Ele confirmou que avalia a candidatura e estabeleceu um prazo. "Estou avaliando a possibilidade dessa candidatura com enorme seriedade, mas devo tomar essa decisão de forma amadurecida até o próximo dia 5 de agosto", afirmou à Itatiaia.
O deputado federal citou a pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta terça, que o coloca em segundo lugar na disputa, e agradeceu o desempenho. Ao justificar o eventual retorno à Casa onde construiu sua candidatura presidencial em 2014, apontou o que classifica como perda de peso político do estado. "Seria uma forma de reposicionar Minas no plano nacional, já que nesse último período de governo nós perdemos qualquer influência nas discussões relevantes para o Brasil", defendeu.
Abi-Ackel evitou pressionar o presidente nacional por uma resposta e vinculou o desenho de uma eventual chapa com o PDT à escolha de Aécio. "Tudo depende das circunstâncias, depende da decisão dele de ser ou não ser candidato ao Senado", disse.
"Os apelos têm sido muito grandes, as pesquisas têm sido muito incentivadoras para a decisão dele, mas a gente realmente tem que aguardar para decidir qual será exatamente o desenho de uma eventual formação", concluiu.
Metas realistas e projeto voltado a 2030
A convenção deixou claro que 2026 é, para os tucanos, um ano de recomposição. As metas apresentadas por Abi-Ackel são pontuais e apoiadas em pesquisas internas. "Podemos ser bastante realistas, sem ser otimistas, no sentido de aumentar a bancada de deputados federais. Hoje somos dois, podemos ir a três. E na Assembleia Legislativa, hoje somos dois, podemos ir a cinco", estimou.
Em âmbito nacional, Aécio projetou entre seis e sete candidaturas próprias a governos estaduais e a triplicação da bancada na Câmara. O objetivo declarado, porém, tem horizonte mais distante.
"O PSDB se prepara para construir um projeto alternativo para o Brasil nas eleições de 2030. Mas isso passa pelas eleições também nos estados", disse. "O que nós queremos é ser a alternativa a esses polos que hoje radicalizam e fazem muito mal à política brasileira", acrescentou.
A Executiva da Federação PSDB-Cidadania definirá o posicionamento sobre as disputas estaduais até 5 de agosto, mesma data em que se encerra o prazo das convenções partidárias.
Resistência interna à aliança com o PDT
A aproximação com Kalil não é consenso dentro do partido. O pré-candidato a deputado federal João Leite (PSDB) afirmou à Itatiaia, na mesma convenção, que é contrário ao apoio e que trabalhará para impedir o acordo. Caso a aliança se confirme, disse que seguirá na disputa, mas sem participar da campanha nem vincular o nome do pedetista à sua propaganda eleitoral.
O desconforto tem origem na eleição municipal de 2016, quando os dois disputaram o segundo turno pela Prefeitura de Belo Horizonte, episódio que rompeu de forma incontornável a relação entre eles. O registro de candidaturas na Justiça Eleitoral vai até 15 de agosto, e o primeiro turno está marcado para 4 de outubro.
Jornalista formado em Comunicação Social pela Universidade Federal de Viçosa (UFV). Atuou com produção de conteúdo editorial e cobertura de pautas voltadas a tecnologia, negócios e comportamento digital. Cobre as eleições de 2026 para a Itatiaia.


