Plano de Flávio Bolsonaro mira STF com propostas que dependem do Congresso
Programa prevê restrições às decisões individuais de ministros, mudanças nas competências da Corte e fim da reeleição presidencial; medidas exigem apoio de deputados e senadores

O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) promete, em seu plano de governo, reduzir os poderes do Supremo Tribunal Federal (STF), acabar com parte das competências criminais da Corte e limitar decisões individuais de ministros. Mas, se eleito, o senador precisará do Congresso para tirar a maior parte das propostas do papel, já que algumas exigem mudanças na Constituição.
O programa, registrado oficialmente no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na quinta-feira (13), prevê seis mudanças relacionadas diretamente ao STF. Entre elas estão o fim das competências criminais originárias da Corte, a restrição às decisões monocráticas, a revisão das regras para ações usadas para questionar leis e atos do poder público diretamente no Supremo, e uma quarentena de um ano para ministros de Estado antes de uma eventual indicação ao Supremo.
O texto também propõe impedir que parentes de até terceiro grau de ministros atuem no tribunal e ampliar a participação da sociedade civil no CNJ e no CNMP.
A proposta de retirar do Supremo parte da competência para julgar autoridades em processos criminais, por exemplo, mexe diretamente em atribuições previstas na Constituição. O mesmo vale para mudanças em dispositivos constitucionais que tratam do controle concentrado de constitucionalidade e da estrutura do CNJ e do CNMP.
Já a limitação das decisões monocráticas pode ser feita, dependendo do formato adotado, por alteração na legislação. O tema já é discutido pelo Congresso, que tem propostas em tramitação para restringir decisões individuais de ministros do STF.
Fim da reeleição também depende de PEC
O mesmo acontece com uma das principais propostas da reforma política de Flávio Bolsonaro: o fim da reeleição para presidente da República.
Flávio apresentou a PEC 4/2026, que impede a candidatura do presidente a um segundo mandato consecutivo. A proposta altera a Constituição e, por isso, precisa ser aprovada pela Câmara e pelo Senado em dois turnos, com apoio de três quintos dos parlamentares em cada Casa.
A proposta já faz parte da estratégia política de Flávio. Em março, quando protocolou a PEC, ele buscou apoio de senadores de direita para o texto.
Propostas em comum
Entre os candidatos de direita que propõem mudanças no STF, Flávio Bolsonaro (PL) e Romeu Zema (Novo) apresentam as agendas mais detalhadas. Além de defender mudanças nas competências do Supremo e o fim das decisões monocráticas, o ex-governador de Minas Gerais propõe idade mínima de 60 anos para o cargo e mudanças nas regras de indicação dos ministros. Renan Santos (Missão) não apresenta, no plano de governo analisado, uma proposta específica para o STF, embora defenda uma ampla reorganização institucional. Já Ronaldo Caiado (PSD), até o momento, ainda não apresentou seu plano de governo ao TSE.
Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio



