Para unificar palanque de Lula, PSOL não disputará Governo de MG pela 1ª vez em 20 anos
Legenda seguirá a direção nacional no objetivo de priorizar reeleição do petista no Palácio do Planalto e busca uma aproximação com o PT em Minas Gerais

O Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) estará ausente na lista de candidatos ao Governo de Minas Gerais pela primeira vez desde 2006 no pleito de outubro deste ano. Sob nova direção, o diretório estadual da legenda anunciou nesta quinta-feira (28) que seguirá a resolução nacional de priorizar a campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e aprofundará as conversas com os petistas mineiros para constituir uma candidatura única da esquerda ao Executivo Estadual.
Na última quarta-feira (27), a presidência estadual do PSOL passou de Carol Souza para a vereadora de Belo Horizonte, Iza Lourença. Ambas concederam uma entrevista coletiva nesta quinta para explicar o planejamento do partido em Minas.
“Na resolução que a gente aprovou tanto em dezembro do ano passado, quanto ontem, falamos que queremos estar em uma unidade do campo progressista. Claro que se essa unidade se inviabilizar completamente, nós vamos ter que decidir o que fazer. Mas a nossa aposta, nosso dispêndio de energia é para construir uma unidade do campo progressista e não uma candidatura própria do partido”, destacou Iza Lourença.
Para a vereadora e nova presidente do PSOL em Minas, o momento de queda na popularidade de Romeu Zema (Novo) entre os eleitores mineiros pode afetar a candidatura de seu ex-vice Mateus Simões (PSD) e, por isso, a aproximação com a federação formada por PT, PCdoB e PV foi considerada pelos paulistas.
“Na política mineira, nós queremos aprofundar as conversas com a Federação Brasil da Esperança, porque nós queremos construir a candidatura do Lula em Minas Gerais. Acho que essa foi a grande resolução da executiva ontem. Nós queremos estar com o Lula para o governo de Minas, porque nós temos uma possibilidade. Zema sai do governo de Minas Gerais com a sua maior rejeição desde que ele começou a governar. E o Mateus Simões, a gente está vendo aí, que não é uma candidatura que emplaca porque é um governo que tem rejeição. Então nós temos condições de governar Minas Gerais junto com o presidente Lula”, destacou.
O PT vive um dilema até então insolúvel sobre o nome que apoiará para a disputa do Governo de Minas Gerais. A escolha preferencial de Lula é o senador Rodrigo Pacheco (PSB), mas o parlamentar tem dado sinais de que não entrará no páreo.
Se concretizado o planejamento do diretório estadual, esta será a primeira eleição em 20 anos sem um candidato próprio do PSOL. Desde 2010, o partido disputa o Executivo Estadual. Veja a lista de candidatos:
- 2010: O PSOL lançou Luiz Carlos Ferreira, que ficou em quarto lugar com 0,33% dos votos; naquela feita, o PT entrou no páreo com Patrus Ananias como vice de Hélio Costa (PMDB) e terminou o pleito na segunda posição, com 34,18% dos votos.
- 2014: O PSOL lançou Fidélis Alcântara, que ficou em quarto lugar com 0,67% dos votos; naquela feita, o PT venceu as eleições com Fernando Pimentel, que teve 52,98%.
- 2018: O PSOL lançou Dirlene Marques, que ficou em quinto lugar com 1,38%; naquela feita, o PT ficou em terceiro lugar com Fernando Pimentel obtendo 23,12% dos votos;
- 2022: O PSOL lançou Lorene Figueiredo, que ficou em quinto lugar com 0,41% dos votos; o PT disputou com André Quintão como vice na chapa de Alexandre Kalil (então no PSD), que terminou na segunda posição, com 35,08% dos votos.
Concentração na disputa do Senado
Sem um nome para disputar o Executivo, a principal candidatura puro-sangue do PSOL em Minas passa a ser a da ex-deputada federal Áurea Carolina, que entrará na corrida pelo Senado. A ideia do partido é concentrar os esforços nessa campanha.
“A candidatura da Áurea, na minha opinião, ela é uma grande esperança para Minas Gerais, porque nós queremos ter estratégia para para o desenvolvimento da esquerda do nosso estado. Nós queremos construir grandes líderes de esquerda e nós apostamos na Áurea como essa grande líder”, destacou Iza Lourença.
Outro foco do partido na aproximação com o PT é garantir que o campo progressista lance apenas duas candidatas para as duas vagas em disputa no Senado com a consolidação da dupla Áurea Carolina e Marília Campos, ex-prefeita de Contagem e pré-candidata pelo PT.
O PSOL mineiro mira no exemplo do Rio Grande do Sul para defender uma frente ampla progressista. Pelos lados gaúchos, Juliana Brizola (PDT) deve concorrer ao governo estadual com o PT nomeando o candidato a vice e a psolista Manuela d’Ávila na corrida pelo Senado.
Repórter de política da Itatiaia, é jornalista formado pela UFMG com graduação também em Relações Públicas. Foi repórter de cidades no Hoje em Dia. No jornal Estado de Minas, trabalhou na editoria de Política com contribuições para a coluna do caderno e para o suplemento de literatura.



