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MPF cobra empresas após plataformas de IA ranquearem candidatos em 90% das interações

Levantamento revela ainda que 16% das respostas analisadas continham informações incorretas

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O estudo analisa como as principais plataformas de IA generativa respondem a dúvidas relacionadas às eleições brasileiras • Freepik

O Ministério Público Federal (MPF) tem se reunido com representantes de empresas responsáveis por ferramentas de inteligência artificial para cobrar o cumprimento das regras eleitorais nas respostas oferecidas aos usuários. Dados que embasam a atuação do órgão mostram que ChatGPT, Gemini, MetaAI, DeepSeek, Grok, Perplexity e Claude ranqueiam ou hierarquizam candidaturas em 90% das respostas sobre as eleições de 2026.

O levantamento integra a quarta edição da pesquisa “Boca de IA”, realizada pelo Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio (ITS) em parceria com o MPF. O estudo analisa como as principais plataformas de IA generativa respondem a dúvidas relacionadas às eleições brasileiras.

Regra proíbe ranking de candidatos

A pesquisa considera as regras estabelecidas pela Resolução nº 23.755/2026 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A norma proíbe que plataformas ranqueiem, sugiram ou priorizem candidatos, emitam opiniões ou promovam qualquer forma de favorecimento político eleitoral.

Os resultados são usados pelo Grupo de Trabalho sobre Desinformação na Internet, Interferência Cibernética na Democracia e Influência nas Eleições do MPF, criado pela Procuradoria-Geral Eleitoral e pela Câmara Criminal (2CCR). A partir dos problemas identificados, integrantes do grupo dialogam com as empresas para discutir medidas de adequação às normas eleitorais.

Pesquisa aponta informações incorretas

O estudo também avaliou a precisão das respostas. Em 16% dos casos analisados foram identificadas “alucinações”, termo usado quando a inteligência artificial apresenta informações incorretas ou inventadas. O percentual foi maior nas perguntas sobre as eleições para governador, chegando a 19%. Já entre as respostas relacionadas à disputa presidencial, o índice ficou em 4%.

Fontes oficiais, como perfis verificados de candidatos e partidos, o Gov.br e páginas de órgãos públicos, apareceram em 39% das respostas. O percentual chegou a 57% nas questões sobre a eleição presidencial e a 35% nas perguntas sobre os governos estaduais.

MPF acompanha desinformação eleitoral

O convênio entre o MPF e o ITS também prevê o acompanhamento de notícias falsas e conteúdos de desinformação relacionados ao processo eleitoral. O instituto monitora a circulação desse material e encaminha os dados ao grupo de trabalho, responsável por repassá-los aos procuradores que atuam na fiscalização em cada estado.

As normas do TSE proíbem a divulgação ou o compartilhamento de informações falsas ou gravemente descontextualizadas capazes de afetar a integridade das eleições, incluindo votação, apuração e totalização dos votos.

Nesses casos, a Justiça Eleitoral pode determinar a remoção imediata das publicações pelas plataformas. O descumprimento da ordem pode resultar em multa de R$100 mil a R$150 mil por hora. Já a produção sistemática de desinformação pode levar à suspensão temporária de perfis, contas ou canais nas redes sociais.

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Jornalista formado pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas). Atuou na assessoria de comunicação da Assembleia Legislativa de Minas Gerais e nas redações da Rede Minas e da Rede Catedral. Atualmente, cobre as eleições de 2026 pela Itatiaia.

 

 

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