Missão aposta em campanha eleitoral de Renan Santos para superar cláusula de barreira
Para sobreviver, as siglas precisam superar o mecanismo que restringe o acesso dos partidos políticos a recursos do fundo partidário e ao tempo de propaganda eleitoral gratuita

O partido Missão, fundado pelo Movimento Brasil Livre (MBL), irá disputar, em outubro deste ano, sua primeira eleição. De forma ambiciosa, a legenda projeta o nome do pré-candidato Renan Santos, presidente da sigla, empresário e também guitarrista, para a disputa pelo Planalto.
Para sobreviver, o Missão, no entanto, precisa superar a cláusula de barreira, mecanismo que restringe o acesso dos partidos políticos a recursos do fundo partidário e ao tempo de propaganda gratuita em emissoras de rádio e televisão.
Para ter acesso aos recursos, em 2018, por exemplo, os partidos precisavam eleger no mínimo nove deputados federais. Em 2022, esse número subiu para 11 e, em 2026, chegará a 13 parlamentares. Além disso, as legendas também precisam ter representantes em pelo menos nove estados ou em oito estados e no Distrito Federal.
O único deputado do partido na Câmara dos Deputados e pré-candidato ao governo de São Paulo, Kim Kataguiri, em entrevista à Itatiaia, garante que a cláusula de barreira será superada "com tranquilidade".
De acordo com o parlamentar, o Missão aposta no engajamento do eleitorado mais jovem na campanha de Renan Santos para eleger mais nomes ao redor do país. "Esse é o público inicial que mais vira votos, que mais converte apoio, que mais faz uma pré-candidatura crescer e que, por vezes, ao redor do mundo, leva os chamados outsiders ao poder. Foi o caso de [Javier] Milei e de [Donald] Trump", disse.
Efeito Marçal
A aposta do Missão é que Renan Santos repita o feito de Pablo Marçal (União Brasil) quando disputou a prefeitura de São Paulo, em 2024. Sendo um nome de fora da política tradicional e uma figura controversa, o então postulante ao cargo de prefeito quase foi ao segundo turno, mas acabou perdendo a vaga para Guilherme Boulos (PSOL), que enfrentou Ricardo Nunes (MDB).
Na leitura de Kataguiri, embora o feito esperado possa ser parecido, o resultado seria diferente porque, segundo ele, "Renan é honesto, diferente do Pablo Marçal". "Marçal se suicidou politicamente na semana final da eleição, quando poderia ter ido ao segundo turno, mas, por arrogância ou mau-caratismo ao falsificar um documento, se destruiu politicamente, coisa que evidentemente o Renan não vai fazer".
Perto da votação, em outubro de 2024, Marçal publicou nas redes sociais um receituário médico falso que detalharia um encaminhamento de Boulos para uma emergência psiquiátrica em 2021. O mesmo laudo indicaria que o atual ministro do governo Lula (PT) teria testado positivo para cocaína nesse episódio.
Marçal foi condenado a indenizar Boulos em R$ 100 mil pela disseminação de informações falsas.
Pablo Marçal, mesmo se vencesse e fosse prefeito, faria um governo desastroso porque não tinha nenhuma proposta. Tudo o que colocava era absurdo. A cidade de São Paulo tem diversos problemas, mas 'vou fazer uma torre de 1 km de altura' ou 'vou fazer um teleférico'. Não, a gente tem propostas concretas.
Além de Kim, em São Paulo, o partido Missão lançou o nome do influenciador Ben Mendes como pré-candidato ao governo de Minas Gerais.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal de Minas Gerais, com passagem pela Rádio UFMG Educativa. Na Itatiaia, já foi produtora de programas da grade e repórter da Central de Trânsito Itatiaia Emive.
Jornalista pela UFMG, Lucas Negrisoli é editor de política. Tem experiência em coberturas de política, economia, tecnologia e trends. Tem passagens como repórter pelo jornal O Tempo e como editor pelo portal BHAZ. Foi agraciado com o prêmio CDL/BH em 2024.




