Lula muda de posição sobre maioridade penal e volta a defender 'saidinhas'
Em entrevista ao SBT, presidente afirmou que mudou de posição sobre a responsabilização penal de adolescentes e defendeu a manutenção das saídas temporárias para presos que não cometeram crimes graves, desde que cumpram os critérios legais

Em sabatina transmitida pelo SBT, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, defendeu a redução da maioridade penal para 16 anos em casos de crimes hediondos e reafirmou sua posição favorável à saída temporária de detentos, conhecida popularmente como "saidinha". As declarações foram feitas ao detalhar as propostas de seu programa de governo voltadas para a segurança pública.
Ao justificar a mudança de postura em relação à idade penal, historicamente rechaçada pelo Partido dos Trabalhadores, Lula sustentou que rever posicionamentos faz parte do amadurecimento político e comparou os direitos cívicos dos jovens com suas responsabilidades legais.
"Da mesma forma que nós achamos que um jovem de 16 anos pode votar, ele pode escolher o seu presidente da República, nós temos que dar a ele a responsabilidade também de ter um comportamento adequado. Se ele cometer um crime hediondo, ele tem que ser punido rigorosamente", declarou o petista.
Sobre a manutenção do benefício da saída temporária, o presidente defendeu a medida como um instrumento fundamental para a ressocialização e a convivência familiar de pessoas detidas por infrações sem violência extrema. "A saidinha é uma questão de direito das pessoas conviverem em família. Se o cidadão foi preso porque cometeu um delito que não seja grave e tem bom comportamento, é normal que possa visitar parentes. Você não pode, por causa de dois ou três, punir centenas ou milhares de pessoas. Nós acreditamos na possibilidade de recuperar", afirmou.
Lula ressaltou, porém, que a concessão do benefício não deve contemplar condenados por estupro ou crimes hediondos, destacando que a Justiça precisa analisar cada caso de forma individual.
O candidato também defendeu a aprovação da PEC da Segurança Pública para aprimorar a integração das forças policiais entre União, estados e municípios, além de prometer transformar presídios estaduais estratégicos em penitenciárias de segurança máxima para isolar lideranças de facções criminosas.
Jornalista formado em Comunicação Social pela Universidade Federal de Viçosa (UFV). Atuou com produção de conteúdo editorial e cobertura de pautas voltadas a tecnologia, negócios e comportamento digital. Cobre as eleições de 2026 para a Itatiaia.



