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Flávio Bolsonaro é orientado a ser 'menos Pablo Marçal' em debate da Globo

Senador Flávio Bolsonaro (PL) é aconselhado a moderar o discurso no debate da TV Globo para evitar rejeição, enquanto Lula (PT) é esperado para atacar

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Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva participaram, na noite de domingo (18), do debate entre presidenciáveis promovidos pela TV Band.
Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva participaram, na noite de domingo (18), do debate entre presidenciáveis promovidos pela TV Band. • Renato Pizzutto/Band

*Blog Jussara Soares

O senador Flávio Bolsonaro (PL) tem sido orientado a baixar o tom no debate da TV Globo, marcado para a próxima sexta-feira (23). A estratégia é deixar espaço para que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) adote uma postura mais agressiva e, assim, evitar o aumento de rejeição entre indecisos ou desagradar eleitores que já declararam voto nele.

À CNN, aliados mais comedidos afirmam que Flávio precisa ser "menos Pablo Marçal" e não pode "perder a linha" no último confronto antes da votação. O empresário, que disputou a Prefeitura de São Paulo em 2024, passou a ser ouvido como conselheiro na campanha presidencial do senador.

A avaliação é que, a dois dias de os brasileiros irem às urnas, Flávio não pode correr o risco de aumentar sua rejeição entre os indecisos ou desagradar eleitores que já declararam voto nele, mas ainda sem convicção.

O conselho é que cabe a Lula, que saiu atrás no primeiro turno, adotar uma postura mais agressiva na tentativa de enfraquecer o adversário. Há também o receio de que Flávio transmita uma imagem de arrogância ou passe a impressão de que já considera a eleição vencida.

A orientação ganhou força após o primeiro confronto direto entre candidatos no último domingo, na Band. Flávio começou o embate com um gesto de cordialidade, ao cumprimentar Lula, mas, ao longo do programa, adotou um tom de ataque e deboche que desagradou aliados. Na ocasião, Lula avalia nível de debate como 'muito baixo'.

Segundo análises qualitativas citadas por integrantes da campanha, a postura incomodou eleitores que esperavam ver a versão de um Bolsonaro moderado, apresentada ao longo da disputa. Já houve um momento onde Lula e Flávio trocam acusações diretamente, o que pode ter influenciado essa percepção.

A preocupação também é alimentada pela estratégia da campanha petista, que tem explorado o comportamento de Flávio para questionar sua postura como candidato à Presidência. Em contraponto, Lula busca se apresentar como um político experiente e preparado para exercer o cargo.

Para o debate da Globo, a orientação é que Flávio adote uma postura mais propositiva, rebata as acusações de que pretende cortar programas sociais, como o Bolsa Família, e volte a insistir no discurso de mudança, apresentando propostas para o custo de vida da população e a segurança pública. Anteriormente, Flávio fala em 'combater a mentira' antes de um debate anterior.

Isso não significa, porém, abandonar os ataques a Lula. O senador deve continuar explorando denúncias envolvendo o filho do presidente, conhecido como Lulinha, e resgatar escândalos de corrupção de governos petistas, como o mensalão e a Lava Jato.

Flávio também é aconselhado a se preparar para cobranças sobre a quebra de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico, tema que Lula transformou em uma das principais armas contra o adversário nesta reta final.

Na noite desta terça-feira (20), o presidente condicionou sua participação no debate da Globo à apresentação de uma autorização de Flávio para a liberação dos próprios sigilos e dos de seus familiares.

"E se ele [Flávio Bolsonaro] apresentar um documento autorizando quebrar o sigilo, vai ter debate, porque senão ele não pode ir no debate. Porque um presidente da República não pode debater com ladrão, esse é o dado concreto", disse Lula durante caminhada entre Juazeiro (BA) e Petrolina (PE), ao lado de apoiadores.

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