Conheça a carreira política de Vittorio Medioli, pré-candidato ao Governo de MG
Ex-prefeito de Betim se apresenta como alternativa do PL e aposta na experiência administrativa para disputar o Palácio Tiradentes

Vittorio Medioli (PL) colocou o nome à disposição para disputar o Governo de Minas Gerais nas eleições de 2026, em meio à indefinição do partido sobre lançar uma candidatura própria ou apoiar o senador Cleitinho Azevedo, do Republicanos.
A intenção de Medioli é levar ao estado o modelo de gestão adotado durante os oito anos em que comandou o município de Betim, da Região Metropolitana de Belo Horizonte. Embora se apresente como pré-candidato, ele reconhece que a decisão final caberá ao PL e admite integrar como vice uma eventual chapa liderada por Cleitinho, desde que exista um programa de governo definido e compromisso com medidas nas áreas fiscal, de saúde e educação.
Eleito deputado federal por Minas Gerais pela primeira vez em 1990, conquistou quatro mandatos consecutivos, permanecendo na Câmara dos Deputados entre 1991 e 2007. Ao longo desse período, passou por partidos como Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) e Partido Verde (PV).
Na Câmara, participou de discussões relacionadas à economia, ao meio ambiente, ao transporte, à segurança e ao desenvolvimento industrial. Entre as propostas apresentadas está um projeto que autorizava escolas a instalarem equipamentos de controle para impedir a entrada de armas.
Medioli também afirma ter participado dos debates e das articulações políticas que antecederam a implantação do Plano Real, em 1994. Após deixar a Câmara dos Deputados, se afastou por alguns anos das disputas eleitorais e concentrou a atuação nas empresas e em projetos desenvolvidos em Betim.
Medioli voltou às urnas em 2016, quando concorreu à Prefeitura de Betim pelo então Partido Humanista da Solidariedade (PHS), extinto em 2019. Mesmo tendo entrado na disputa próximo ao início da campanha, foi eleito no primeiro turno.
Conquistou a reeleição nas eleições de 2020, com aproximadamente 76% dos votos válidos. Ao fim do segundo mandato, encerrou uma gestão de oito anos à frente da cidade, entre 2017 e 2024. Durante a administração municipal, concentrou o discurso na reorganização das contas públicas, na ampliação da rede de saúde, na educação infantil, no saneamento e na atração de empresas.
O ex-prefeito diz que assumiu Betim com uma dívida próxima de R$ 2 bilhões, quitou os compromissos e deixou cerca de R$ 800 milhões em caixa. Os números são apresentados pelo próprio ex-prefeito como parte do balanço de sua gestão.
Saúde e educação em Betim
Na saúde, Medioli destaca a construção e a reforma de unidades básicas, unidades de pronto atendimento e da maternidade municipal. Segundo ele, a ampliação da atenção básica ajudou a reduzir a pressão sobre os hospitais e a oferecer atendimento mais próximo dos moradores.
O pré-candidato também afirma ter ampliado o número de farmácias públicas e reorganizado a distribuição territorial das equipes de Saúde da Família.
Uma das principais bandeiras da educação foi a expansão das creches de tempo integral. Para Medioli, a primeira infância deve ser tratada como prioridade, por considerar que os primeiros anos são decisivos para o desenvolvimento social e educacional.
Retorno à política partidária
Depois de deixar a Prefeitura de Betim, Medioli permaneceu sem partido por parte de 2025. Foi em março de 2026 que se filiou ao Partido Liberal (PL) durante um encontro com o presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto, em Brasília. Inicialmente, a articulação era para que disputasse uma vaga na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.
Nos meses seguintes, porém, o nome do ex-prefeito passou a ser discutido para a eleição majoritária. A possibilidade ganhou força diante da divisão interna do PL sobre o caminho a ser adotado na disputa estadual. Uma ala defende o apoio a Cleitinho, enquanto outra trabalha pelo lançamento de um nome próprio ao Governo de Minas, tendo Medioli e o ex-presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais, Flávio Roscoe, entre as alternativas avaliadas.
O nome de Cleitinho permanece no centro das negociações, mas o senador ainda não confirmou de maneira definitiva se disputará o Palácio Tiradentes. O PL chegou a avançar nas discussões por uma candidatura própria diante da demora por uma resposta do parlamentar, embora dirigentes da legenda continuem defendendo uma aliança com ele.
Medioli defende que o PL tenha candidatura própria para garantir um palanque estadual ao pré-candidato presidencial apoiado pela sigla. Ele afirma contar com o incentivo de integrantes das bancadas estadual e federal, mas condiciona sua participação à decisão oficial do partido e à homologação nas convenções.
O que Vittorio Medioli defende
A reorganização das contas públicas é uma das prioridades de Medioli, que critica o aumento da dívida de Minas e afirma que o estado precisa revisar os compromissos, recuperar créditos e utilizar com maior eficiência os recursos disponíveis.
Ele também defende a redução de impostos em setores nos quais a carga tributária estaria prejudicando a produção e a geração de empregos. Alíquotas menores poderiam estimular a atividade econômica e, consequentemente, ampliar a arrecadação.
Na relação com os municípios, propõe a criação de estruturas regionais do governo estadual para atender prefeitos sem que eles precisem se deslocar constantemente até Belo Horizonte. A ideia é descentralizar decisões e organizar investimentos de acordo com as necessidades de cada região.
A atenção básica, ampliar as equipes de Saúde da Família e melhorar a integração entre unidades básicas, UPAs e hospitais são propostas na área da saúde. Medioli quer maior fiscalização sobre contratos, organizações sociais e empresas que administram serviços públicos.
Mas a primeira medida de uma eventual gestão do pré-candidato seria ampliar o atendimento pré-escolar e as creches em tempo integral. O modelo teria como referência as ações implantadas em Betim. Medioli quer associar educação, assistência social e acompanhamento das famílias, especialmente nas regiões com menores indicadores de desenvolvimento.
Críticas às privatizações e ao Rodoanel
Embora esteja filiado a um partido de direita, Medioli afirma não adotar uma posição automaticamente favorável ou contrária às privatizações. Segundo ele, a decisão deve considerar a qualidade, o custo e a capacidade do serviço de atender a população.
Ele critica a desestatização da Copasa e afirma que o saneamento possui uma função social que não pode ser desconsiderada. Medioli levanta um questionamento se os recursos obtidos com a venda seriam suficientes para produzir uma mudança relevante nas contas estaduais.
O pré-candidato é ainda um crítico do atual projeto do Rodoanel Metropolitano. Segundo ele, o traçado afetaria áreas urbanas de Betim, Contagem e Ibirité e transferiria parte do trânsito pesado para regiões densamente ocupadas. Como alternativa, ele diz ter elaborado uma proposta de contorno mais distante das cidades e sem cobrança de pedágio.
Possibilidade de ser vice de Cleitinho
Apesar de colocar o nome à disposição para disputar o governo, Medioli não descarta ocupar a vaga de vice em uma eventual chapa encabeçada por Cleitinho. A possibilidade de composição foi apresentada ao senador durante uma passagem do pré-candidato presidencial Flávio Bolsonaro (PL) por Divinópolis.
Para aceitar a aliança, porém, Medioli exige que a chapa apresente previamente um programa de governo e estabeleça regras claras para uma eventual administração. Segundo ele, seria necessário assumir um compromisso consistente com a recuperação financeira de Minas, a reestruturação da saúde, principalmente no interior, e o fortalecimento dos programas educacionais.
Dessa forma, o futuro político do ex-prefeito permanece em aberto. Ele poderá encabeçar uma candidatura própria do PL, integrar como vice uma chapa de Cleitinho ou disputar outro cargo, conforme as decisões partidárias e a definição do senador do Republicanos.
Jornalista pela PUC Minas. Atuou na Rede Minas, no Estado de Minas e em assessoria de imprensa, com experiência em reportagem, produção de conteúdo e cobertura de temas de interesse público.



