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Conheça a carreira política de Pedro Paulo, pré-candidato ao Senado do RJ

Deputado federal e presidente do PSD no Rio é escolhido pelo grupo de Eduardo Paes para disputar uma vaga no Senado Federal em 2026

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Pedro Paulo (PSD)
Pedro Paulo disputa pela primeira vez uma vaga no Senado após passagens pela Alerj, Câmara e Prefeitura do Rio • Zeca Ribeiro / Câmara dos Deputados

O deputado federal e presidente do Partido Social Democrático (PSD) no Rio de Janeiro entrará na disputa ao Senado pelo estado nas eleições de 2026. A pré-candidatura foi confirmada pelo presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, e fecha a chapa de Eduardo Paes (PSD), pré-candidato ao governo fluminense.

A chapa também contará com Benedita da Silva (PT) como aliada na corrida ao Senado. A vaga só se abriu depois que Flávio Bolsonaro (PL), até então cotado para a disputa, desistiu para concentrar forças na pré-candidatura à Presidência da República.

No ano passado, Pedro Paulo havia sido preterido como vice na chapa de reeleição de Eduardo Paes à Prefeitura do Rio. Mas o prefeito optou por Eduardo Cavaliere (PSD), após a repercussão de denúncias de violência doméstica feitas por sua ex-esposa, episódio que voltou ao debate durante as discussões sobre a composição da chapa.. 

Carioca, o pré-candidato é formado em Economia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com MBA em Análise de Conjuntura Econômica pela mesma universidade, mestrado em Economia Regional pela UFF e mestrado em Política Aplicada em Madrid, na Espanha.

A entrada na vida pública veio por um amigo que o apresentou a Eduardo Paes, então subprefeito da Barra e Jacarepaguá, Pedro Paulo assumiu o Autódromo de Jacarepaguá, seu primeiro cargo público. Em 2001, assumiu o cargo de subprefeito da Barra e Jacarepaguá e, no ano seguinte, secretário municipal de Meio Ambiente do Rio, durante o governo de César Maia (PSDB).

Pedro Paulo foi eleito deputado estadual com 31.355 votos, em 2006, atuando como vice-presidente do Conselho de Ética da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). Durante o mandato, participou da cassação histórica de três deputados acusados de corrupção e como presidente da Comissão de Saneamento Ambiental, com foco na despoluição da Baía de Guanabara.

Quando Eduardo Paes assumiu a Prefeitura do Rio, em 2009, Pedro Paulo se tornou seu braço direito na missão de transformar a cidade. Participou do planejamento de projetos como as Clínicas da Família, os corredores de BRT e as Escolas do Amanhã, além de implantar a Central 1746, canal de comunicação entre o cidadão e a prefeitura. 

Um ano depois, nas eleições de 2010, eleito deputado federal com 105.406 votos, e reeleito em 2014 com 162.403 votos, sexto mais votado do estado e terceiro mais votado na capital. Pedro Paulo teve licença do mandato por diversas vezes para assumir cargos na gestão municipal, como chefe da Casa Civil em 2009 e secretário de Fazenda e Planejamento entre 2021 e 2022. 

Candidato a prefeito do Rio nas eleições de 2016, sua campanha foi marcada por denúncias de violência doméstica feitas por sua ex-mulher. Pedro Paulo alegou o episódio publicamente como uma "discussão" do casal que teria saído do controle. 

Em 2017, Pedro Paulo e o então prefeito Eduardo Paes chegaram a ser condenados pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) por abuso de poder político e econômico no uso do plano estratégico "Visão Rio 500" durante a campanha eleitoral. A decisão tornou ambos inelegíveis por oito anos, mas foi posteriormente revertida por unanimidade pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que considerou insuficientes as provas apresentadas no processo.

No plenário, construiu um histórico de alinhamento com agendas liberais ao votar a favor da admissibilidade do impeachment de Dilma Rousseff (PT), a favor da PEC do Teto dos Gastos no governo Temer, e a favor da reforma trabalhista de 2017, inclusive da terceirização irrestrita. 

Mais recentemente, ganhou destaque no Congresso como relator da reforma administrativa na Câmara, e, em fevereiro deste ano, criticou propostas de aumento salarial no Legislativo, classificando as medidas como uma "contrarreforma"

O que defende

A Reforma Administrativa na Câmara é a principal proposta de Pedro Paulo para o Senado, que ele descreve como "a primeira grande Reforma Administrativa deste século". O pacote, fruto de um grupo de trabalho instituído pelo presidente da Câmara, Hugo Motta, foi apresentado em três textos.

Seriam eles uma PEC, um projeto de lei complementar e um projeto de lei ordinária, somando 70 propostas, com foco em digitalizar a gestão pública e "diminuir o hiato entre os setores público e privado". 

Entre os pontos centrais estão a criação de concursos públicos nacionais unificados, redução do número de carreiras, progressão por desempenho com pelo menos 20 níveis de evolução profissional, e bônus para servidores que cumprem metas institucionais. A proposta também prevê um Concurso Público Nacional Unificado nos moldes do Enem, aberto à adesão de estados e municípios. Segundo o pré-candidato ao Senado, isso ajudaria a suprir a falta de profissionais como professores, policiais e médicos em regiões carentes.

O deputado tem sido enfático em afastar a proposta da PEC 32, do governo Bolsonaro, arquivada em 2021 após forte reação dos servidores: "Não tem nada de PEC 32. Essa proposta não é para reduzir direitos, nem para acabar com a estabilidade. O servidor público continua protegido." Ainda assim, o texto prevê o fim de férias de 60 dias para certas categorias, adicionais automáticos por tempo de serviço, licenças-prêmio e a conversão de folgas em dinheiro e reestrutura o estágio probatório como processo de avaliação contínua baseado em metas. 

Sobre os chamados supersalários, disse que o tema não será tratado nos anteprojetos, mas apoia a criação de uma tabela nacional do serviço público com transição de dez anos para unificar carreiras e salários, como forma de gerar mais transparência.

O pré-candidato também acredita que a reforma deve avançar por um rito mais célere no Congresso, sem ficar restrita à tramitação em comissões especiais. Mudanças estruturais dependem de liderança política e disposição para enfrentar temas considerados sensíveis, segundo Pedro.

A resistência à proposta estaria concentrada em setores mais organizados do funcionalismo público, como integrantes da magistratura, cartórios e parte do movimento sindical. Categorias como professores, enfermeiros e policiais, na avaliação do parlamentar, não figurariam entre os principais grupos de oposição à reforma. Pedro Paulo também considera que o governo Lula perdeu a oportunidade de liderar o debate e conduzir uma reforma administrativa sob a coordenação de um governo de perfil progressista.

As mudanças, porém, encontram oposição entre entidades representativas do funcionalismo. Organizações como o ANDES-SN e o Fonasefe veem nas medidas um risco de precarização das relações de trabalho, enfraquecer carreiras e comprometer a qualidade dos serviços públicos oferecidos à população.

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Jornalista pela PUC Minas. Atuou na Rede Minas, no Estado de Minas e em assessoria de imprensa, com experiência em reportagem, produção de conteúdo e cobertura de temas de interesse público.

 

 

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