Conheça a carreira política de Marcelo Crivella, pré-candidato ao Senado do RJ
Crivella (Republicanos) tenta retornar ao Congresso pelo Rio de Janeiro apostando no eleitorado evangélico e em pautas ligadas à liberdade religiosa

Após quase uma década fora do Senado Federal, cargo que deixou em 2017 para assumir a Prefeitura do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (Republicanos) tenta retornar à Casa nas eleições de 2026.
Crivella já foi senador, ministro da Pesca e prefeito da capital fluminense e é o bispo licenciado da Igreja Universal. Agora, o pré-candidato aposta na experiência acumulada em quase 20 anos de vida pública e na defesa de pautas ligadas à liberdade religiosa, à família e à atuação das igrejas para conquistar uma das duas vagas em disputa pelo Rio de Janeiro.
Formado em Engenharia Civil, Marcelo Crivella já tinha uma vida pública antes da política partidária, quando atuou como missionário da Igreja Universal em países da África. Sobrinho do fundador da denominação, Edir Macedo, é uma das principais lideranças da instituição.
A estreia eleitoral ocorreu em 2002, quando foi eleito senador pelo Rio de Janeiro. Reeleito em 2010, permaneceu no Senado até 2017, quando deixou o cargo para assumir a Prefeitura do Rio de Janeiro.
Durante os mandatos como senador, participou de projetos ligados à habitação popular, infraestrutura e liberdade religiosa. Crivella relembra sua atuação na tramitação do Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social, iniciativa que posteriormente serviu de base para programas habitacionais de alcance nacional.
Em 2012, também integrou o governo da então presidente Dilma Rousseff (pt), como ministro da Pesca e Aquicultura.

Já foi prefeito do Rio de Janeiro
O ponto mais alto da carreira política de Crivella ocorreu em 2016, quando venceu as eleições para a Prefeitura do Rio de Janeiro.
Entre as ações que costuma destacar da gestão estão a construção do Memorial às Vítimas do Holocausto, no Morro do Pasmado, em Botafogo, e a encampação da Linha Amarela, medida que reduziu temporariamente a cobrança do pedágio na via expressa.
Crivella argumenta que a intervenção na concessão ocorreu porque a obra já havia sido amplamente amortizada pelos usuários e que os valores cobrados eram excessivos. A experiência demonstrou, de acordo com o pré-candidato, que a operação da via poderia ser mantida com custos menores para a população.
Apesar disso, sua administração também enfrentou críticas relacionadas à gestão da saúde, da educação e à condução da pandemia de Covid-19 nos últimos anos do mandato.
A gestão do ex-prefeito também foi alvo de investigações. Em janeiro de 2026, o Ministério Público do Rio de Janeiro acusou Crivella por improbidade administrativa em um desdobramento da investigação conhecida como "QG da Propina". Segundo os promotores, um esquema de corrupção teria movimentado cerca de R$ 32 milhões em propina durante sua gestão, envolvendo contratos públicos firmados pelo município.
Crivella nega as acusações e afirma que as contratações investigadas seguiram os procedimentos legais previstos na legislação.
Liberdade religiosa é prioridade para Crivella
A defesa das instituições religiosas é uma das principais bandeiras de Marcelo Crivella. Considera uma de suas principais conquistas a ampliação da imunidade tributária para templos religiosos, incluindo imóveis alugados utilizados por igrejas. Para Crivella, a mudança permitiu que milhares de instituições deixassem de pagar IPTU em todo o país.
Agora, pretende retornar ao Senado para defender a aprovação definitiva da chamada PEC 5, proposta que amplia a imunidade tributária sobre bens e serviços utilizados por organizações religiosas. Crivella defende que recursos arrecadados pelas igrejas devem ser direcionados à assistência social, evangelização e projetos comunitários, e não ao pagamento de impostos.
Família, segurança e valores conservadores
Além da pauta religiosa, Crivella pretende concentrar sua atuação em temas ligados à segurança pública, fortalecimento das famílias e combate à violência.
Em sua visão, políticas de repressão ao crime são importantes, mas argumentou que a solução estrutural para os problemas de violência passa pelo fortalecimento dos vínculos familiares e dos valores defendidos pelas igrejas.
O pré-candidato também mantém alinhamento com pautas tradicionalmente defendidas pela bancada evangélica no Congresso Nacional, grupo do qual fez parte durante seus mandatos parlamentares.
O retorno ao Senado em 2026
Após passagens pelo Senado, por um ministério e pela Prefeitura do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella tenta retomar protagonismo político no estado.
A candidatura ocorre em um cenário de forte disputa pelas duas vagas ao Senado fluminense e busca mobilizar especialmente o eleitorado evangélico, segmento que historicamente constitui uma das principais bases eleitorais do ex-prefeito.
Caso seja eleito, Crivella afirma que pretende priorizar a aprovação de projetos ligados à liberdade religiosa, ao fortalecimento das famílias e ao combate à violência, temas que, segundo ele, marcaram toda a sua trajetória pública.
Jornalista pela PUC Minas. Atuou na Rede Minas, no Estado de Minas e em assessoria de imprensa, com experiência em reportagem, produção de conteúdo e cobertura de temas de interesse público.



