Conheça a carreira política de Francisco Jurity, pré-candidato ao Governo do Piauí
Pré-candidato é presidente estadual do Democracia Cristã e já integrou os governos de Alberto Silva e Mão Santa

O presidente estadual do Democracia Cristã (DC), Francisco Jurity, entra na corrida ao Governo do Piauí nas eleições de 2026. A pré-candidatura integra o processo de reorganização da legenda no estado, liderado pelo próprio Jurity.
Durante a juventude, Jurity participou de mobilizações em defesa dos estudantes em meio ao período da ditadura militar e afirma ter atuado na obtenção de recursos para estruturas educacionais e esportivas no estado. Ele relata que participou das articulações para a construção da Casa do Estudante de Parnaíba e que buscou, em Brasília, recursos originalmente destinados a um ginásio coberto na cidade.
Jurity exerceu a profissão de professor e atuou na iniciativa privada no setor educacional. Segundo o próprio pré-candidato, foi responsável por instituições de ensino presencial e por unidades de educação a distância no Piauí, no Maranhão e no Ceará.
A educação atravessa tanto a trajetória profissional quanto o discurso político de Jurity, que diz ter sido um dos primeiros associados da antiga Associação dos Professores do Estado do Piauí e ter lecionado História e outras disciplinas no ensino médio e em cursos preparatórios.
Em 2010, ao lançar um livro autobiográfico, Jurity foi apresentado como antigo líder estudantil e participante de movimentos de professores durante a ditadura. A publicação também atribuiu a ele a organização de eventos culturais e esportivos em Parnaíba.
Na política estadual, Jurity manteve proximidade com os ex-governadores Alberto Silva e Francisco de Assis Moraes Souza, o Mão Santa. Os dois são citados por ele como referências de sua formação administrativa.
Jurity integrou administrações estaduais comandadas pelos dois políticos. o pré-candidato firmou ter atuado inicialmente em uma estrutura de atendimento e articulação com os municípios durante o governo de Alberto Silva. Segundo ele, esse trabalho posteriormente deu origem a uma secretaria voltada aos assuntos municipais. O pré-candidato também relata ter exercido, por um curto período, a função de secretário de Governo.
Posteriormente, Jurity integrou o governo Mão Santa. Entre as funções mais lembradas está a passagem pela antiga Agespisa, empresa estadual responsável pelos serviços de água e saneamento.
Jurity afirma que exerceu os cargos de diretor e presidente da Agespisa. Segundo ele, a gestão desenvolveu projetos de alfabetização entre funcionários da empresa e conseguiu eliminar o analfabetismo dentro do quadro funcional alcançado pelo programa.
O pré-candidato também rejeita acusações feitas à época da cassação do mandato de Mão Santa, em 2001, segundo as quais recursos da companhia teriam sido utilizados em atividades eleitorais. Declara que não era ordenador de despesas e que as contratações citadas se referiam a eventos de inauguração realizados antes do período eleitoral.
Em 2026, ao anunciar a pré-candidatura, Jurity passou a criticar tanto o governo de Rafael Fonteles, do PT, quanto outros nomes da oposição. Busca ocupar o espaço de uma candidatura independente dos principais grupos políticos piauienses.
Educação como principal bandeira
A educação é apresentada por Jurity como prioridade de um eventual governo. O pré-candidato promete ampliar a valorização salarial dos professores, oferecer condições para que profissionais da rede pública façam mestrado e doutorado e desenvolver um programa para reduzir o analfabetismo no estado.
Ele também critica os investimentos concentrados em reformas estruturais e fachadas de escolas. Para Jurity, melhorias físicas não seriam suficientes sem valorização do magistério, alimentação adequada, manutenção das unidades e formação continuada dos trabalhadores da educação.
O pré-candidato cita Sobral, no Ceará, como referência de gestão educacional e afirma que pretende adaptar experiências bem-sucedidas à realidade piauiense.
Outra bandeira de Jurity é o incentivo à energia solar. Ele critica a cobrança de tributos sobre a geração distribuída e afirma que o governo estadual deveria oferecer subsídios e linhas de financiamento para famílias e empresas instalarem painéis solares.
O pré-candidato relaciona a ampliação da oferta de energia à atração de indústrias e à geração de empregos. Também defende a redução da carga tributária para empreendedores e uma política estadual de incentivo às empresas que ampliem vagas de trabalho.
Jurity também critica a qualidade das rodovias estaduais e promete aumentar a fiscalização sobre contratos de pavimentação e recuperação de estradas. As obras, em sua visão, devem ter maior durabilidade e os investimentos públicos devem ser acompanhados por órgãos de controle e pela população.
A participação popular na definição do orçamento estadual também deve ser ampliada na opinião de Jurity. A proposta seria permitir que moradores dos municípios indicassem prioridades para a aplicação dos recursos, embora o formato desse mecanismo ainda não tenha sido apresentado.
Jornalista pela PUC Minas. Atuou na Rede Minas, no Estado de Minas e em assessoria de imprensa, com experiência em reportagem, produção de conteúdo e cobertura de temas de interesse público.



