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Conheça a carreira política de Daniel Santos, pré-candidato ao Governo do Pará

Ex-vereador, ex-deputado estadual e ex-prefeito de Ananindeua tenta chegar ao Executivo paraense após comandar a Assembleia Legislativa

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Médico deixou a Prefeitura de Ananindeua em abril de 2026 para disputar o Governo do Pará pelo Podemos • Ascom/Prefeitura de Ananindeua

O médico Daniel Santos (Podemos) é pré-candidato ao Governo do Pará nas eleições de 2026. Daniel oficializou a filiação à legenda em março de 2026, após deixar o Partido Socialista Brasileiro (PSB). No mês seguinte, renunciou à Prefeitura de Ananindeua para cumprir o prazo de desincompatibilização e disputar o governo estadual. Com a saída, o então vice-prefeito Hugo Atayde assumiu o município.

Daniel nasceu em Açailândia, no Maranhão, em 1986, mas sua família mudou para o sudeste do Pará na década de 1970 e se estabeleceu na região de Dom Eliseu. Aos 14 anos, Daniel deixou o interior e foi morar em Belém para continuar os estudos. 

Formado em Medicina, especializou-se em Ginecologia e Obstetrícia. A profissão também se tornou uma das principais bases de sua atuação política, especialmente nas propostas relacionadas à saúde pública.

Daniel iniciou a trajetória eleitoral em Ananindeua, na Região Metropolitana de Belém. Foi eleito vereador e exerceu dois mandatos no município. Durante a passagem pelo Legislativo municipal, também chegou à presidência da Câmara de Ananindeua. A experiência o projetou para a política estadual e abriu caminho para a candidatura a deputado em 2018.

As passagens pelo Legislativo, segundo o pré-candidato, contribuíram para sua formação política, mas considera a experiência como prefeito a principal preparação para disputar o governo. Para ele, os municípios concentram as demandas mais imediatas da população, embora recebam uma parcela menor dos recursos públicos.

Em 2018, Daniel foi eleito deputado estadual pelo Pará, inicialmente pelo Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB). Ele deixou a legenda e filiou-se ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB) em 2019. Daniel comandou a Alepa durante o biênio 2019-2021. Entre as atividades realizadas no período esteve a programação comemorativa pelos 30 anos da Constituição do Pará, com sessões e homenagens aos integrantes da Assembleia Estadual Constituinte.

A chegada à presidência da Assembleia ampliou a projeção estadual de Daniel e sua proximidade com o então governador Helder Barbalho (MDB).

Naquele período, Daniel fazia parte da base governista. Anos depois, rompeu politicamente com o grupo de Helder e passou a construir uma candidatura de oposição ao governo estadual. Ele permaneceu apenas um mandato na Assembleia, pois deixou o Legislativo após ser eleito prefeito de Ananindeua em 2020.

O pré-candidato disputou a Prefeitura de Ananindeua em 2020 e venceu a eleição. Assumiu a prefeitura em janeiro de 2021, durante a pandemia de Covid-19, e passou a concentrar a atuação nas áreas de saúde, educação, infraestrutura e urbanização.

Sua administração destacou a abertura de unidades de saúde, a recuperação de vias, a construção de espaços públicos e a expansão de serviços municipais. A própria prefeitura informou, ao final do primeiro mandato, que mais de 439 quilômetros de vias haviam sido recuperados. Os números são balanços divulgados pela gestão municipal.

Em 2024, Daniel foi reeleito prefeito pelo PSB e Hugo Atayde foi escolhido como vice-prefeito. Apesar de ter sido eleito para permanecer no cargo até o final de 2028, renunciou à prefeitura em abril de 2026 para concorrer ao Governo do Pará. Permaneceu aproximadamente cinco anos e três meses à frente do município.

Pré-candidatura ao governo

Daniel anunciou a intenção de disputar o Governo do Pará em agosto de 2025. A pré-candidatura ganhou força depois da reeleição em Ananindeua e do rompimento com o grupo de Helder Barbalho. O pré-candidato apresenta o município como sua principal vitrine administrativa e pretende levar para o estado políticas adotadas durante sua gestão municipal.

A saúde é apresentada como a principal prioridade de um eventual governo. Daniel afirma que a atuação como médico influencia diretamente sua visão sobre a administração pública. Entre suas propostas está a ampliação da estrutura hospitalar e da oferta de atendimentos de média e alta complexidade no interior.

Defende a criação de um hospital regional em Santa Maria do Pará, devido à localização estratégica do município e à proximidade com rodovias que atendem diferentes regiões. Como medida inicial, propôs melhorar o hospital existente, criar condições adequadas de atendimento e instalar leitos de terapia intensiva para estabilizar pacientes antes de transferências.

Na educação, Daniel defende a descentralização da Universidade do Estado do Pará. A proposta é criar ou ampliar campi em municípios considerados estratégicos, reduzindo a necessidade de jovens do interior se mudarem para Belém em busca de formação superior.

O pré-candidato relaciona a proposta à própria trajetória. Aos 14 anos, precisou deixar Dom Eliseu e viajar cerca de 600 quilômetros para continuar estudando na capital. Segundo Daniel, mesmo quando a universidade é pública, os custos de moradia, alimentação e transporte dificultam o acesso de estudantes de baixa renda.

Daniel também defende a recuperação das rodovias estaduais e a melhoria das ligações entre municípios e estradas federais. Ao tratar de Santa Maria do Pará, citou a necessidade de recuperar vias estaduais paralelas às BRs 316 e 010. A medida, segundo ele, poderia desafogar o tráfego das rodovias federais e aproveitar a localização logística do município.

A proposta mais ampla é usar a infraestrutura de transportes para aproximar regiões produtoras, facilitar o escoamento de mercadorias e atrair investimentos para o interior.

Na economia, Daniel defende a industrialização dos recursos produzidos no Pará. O pré-candidato argumenta que o estado ocupa posição relevante na mineração, na produção de cacau e na pecuária, mas ainda exporta grande parte das mercadorias sem beneficiamento.

Ele propõe criar incentivos e cobrar das grandes empresas investimentos em cadeias industriais dentro do Pará. Como exemplo, citou a possibilidade de instalar plantas siderúrgicas em Marabá para processar parte do minério extraído no estado.

Segundo Daniel, o beneficiamento local poderia ampliar a geração de empregos, a arrecadação e a permanência da riqueza no território paraense.

Operação Hades

Em agosto de 2025, Daniel foi alvo da Operação Hades, conduzida pelo Ministério Público do Pará para investigar suspeitas de fraude em licitações da construção civil, corrupção ativa e corrupção passiva. Na ocasião, ele foi temporariamente afastado da Prefeitura de Ananindeua.

O pré-candidato declara que parte das investigações havia sido anulada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e alegou ser vítima de perseguição política. A situação, porém, exige uma distinção.

Em dezembro de 2025, o STF anulou uma portaria que criou a chamada “Força-Tarefa Ananindeua”, por entender que não estava comprovada uma investigação específica contra o prefeito que justificasse a supervisão do procurador-geral de Justiça.

A decisão não anulou a Operação Hades. Em março de 2026, o ministro Alexandre de Moraes negou o pedido de Daniel para estender a nulidade à operação e manteve a validade das investigações. Segundo o STF, as apurações começaram antes da criação da força-tarefa e foram conduzidas sob controle judicial.

Daniel nega irregularidades e diz que não há provas de corrupção em sua gestão. A investigação não equivale a uma condenação, e o caso ainda deve seguir os procedimentos judiciais cabíveis.

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Jornalista pela PUC Minas. Atuou na Rede Minas, no Estado de Minas e em assessoria de imprensa, com experiência em reportagem, produção de conteúdo e cobertura de temas de interesse público.

 

 

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