A dois dias da eleição, Lula e Flávio Bolsonaro pedem cassação um do outro no TSE
Ações apontam suposto abuso de poder econômico no financiamento do filme 'Dark Horse', sobre Jair Bolsonaro, e alegado favorecimento a Lula na programação da Rádio Nacional; pedidos integram conjunto de centenas de processos eleitorais

As campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL) acionaram nesta sexta-feira (23) o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para pedir a cassação das chapas adversárias. A dois dias do segundo turno, as ações apresentam acusações distintas: a coligação de Lula questiona o financiamento do filme *Dark Horse*, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, enquanto a campanha de Flávio acusa a Rádio Nacional de favorecer o atual presidente na programação.
Os dois pedidos foram apresentados por meio de ações de investigação judicial eleitoral (AIJEs), instrumento utilizado para apurar possíveis abusos de poder e irregularidades na disputa. As acusações ainda serão analisadas pela Justiça Eleitoral e não representam, por si só, comprovação de ilícitos.
As ações fazem parte de um volume maior de processos eleitorais. Até 21 de outubro, o TSE havia recebido pelo menos 804 ações relacionadas às eleições de 2026, incluindo 30 AIJEs. O total supera com larga vantagem as 325 ações registradas em 2022.
Campanha de Flávio acusa Rádio Nacional de favorecer Lula
Na ação apresentada pela campanha de Flávio Bolsonaro, o senador acusa Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin, a presidente da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Antonia Pellegrino, e o apresentador Agostinho Teixeira de suposto uso indevido dos meios de comunicação e abuso de poder político.
O foco da denúncia é o programa *Alô Alô Brasil*, transmitido pela Rádio Nacional. Segundo a ação, a edição de 20 de outubro dedicou três blocos a Flávio Bolsonaro e combinou a divulgação de ações do governo federal com comentários críticos ao candidato adversário.
A ação aponta ainda 36 trechos da programação veiculados entre 20 de agosto e 15 de outubro que, na avaliação dos autores, exaltaram Lula ou medidas do governo e desqualificaram Flávio. De acordo com a petição, 35 desses trechos foram transmitidos no *Alô Alô Brasil*.
A campanha pede a cassação dos registros ou diplomas de Lula e Alckmin, além da declaração de inelegibilidade dos investigados que venham a ser responsabilizados. Também solicita a preservação das gravações e medidas para impedir o uso da programação pública em benefício de uma candidatura.
Coligação de Lula questiona financiamento de filme sobre Bolsonaro
Na ação apresentada pela coligação de Lula, Flávio Bolsonaro é acusado de abuso de poder econômico em razão de operações financeiras relacionadas ao filme Dark Horse, que retrata Jair Bolsonaro.
A petição afirma que Flávio teria solicitado ao banqueiro Daniel Vorcaro US$ 24 milhões, aproximadamente R$ 134 milhões, para financiar o filme. O documento também menciona sete transferências que somariam US$ 12,33 milhões, cerca de R$ 69 milhões, realizadas por meio da empresa Entre Investimentos e Participações para o Havengate Development Fund LP, um fundo no Texas.
Segundo a coligação, a movimentação financeira precisa ser investigada porque a empresa Entre teria recebido recursos associados ao Banco Master e ao crime organizado, incluindo o Primeiro Comando da Capital (PCC). A ação cita informações sobre investigações e uma delação premiada para sustentar os questionamentos sobre a origem dos valores.
A coligação também incluiu na ação Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, e Alfredo Gaspar, candidato a vice-presidente na chapa do senador. O documento pede a investigação dos envolvidos, a apuração da origem e da destinação dos recursos e a declaração de inelegibilidade de Flávio e Eduardo Bolsonaro por oito anos. Também solicita a cassação da chapa presidencial formada por Flávio e Gaspar.
Enxurrada de ações
O volume de processos eleitorais tem sido um dos aspectos da campanha presidencial de 2026. Até 21 de outubro, o TSE contabilizava pelo menos 804 ações relacionadas à eleição, mais que o dobro das 325 registradas em 2022 e das 388 de 2018.
Entre os processos, as ações de investigação judicial eleitoral podem resultar, se as acusações forem comprovadas e os requisitos legais forem atendidos, em sanções como cassação de registro ou diploma e inelegibilidade.
Em 13 de outubro, o TSE reuniu representantes das campanhas para discutir medidas destinadas a reduzir a judicialização da disputa. Na ocasião, as campanhas concordaram em retirar determinados pedidos relacionados à pré-campanha e a direitos de resposta do primeiro turno.
As duas novas ações, protocoladas a dois dias do segundo turno, ampliam a disputa judicial entre as campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro. Os pedidos de cassação e de inelegibilidade ainda dependem de análise da Justiça Eleitoral.
Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio



