Vereadores dobram votação, mas ficam fora da Câmara em Belo Horizonte; entenda
A explicação para esse resultado passa pela complexidade do sistema proporcional de votação e pelos quocientes eleitoral e partidário

Alguns candidatos à reeleição para a Câmara Municipal de Belo Horizonte (MG) tiveram, mais do que dobraram sua votação em relação ao pleito anterior, mas apesar do aumento expressivo no número de votos, não estarão na casa legislativa municipal nos próximos quatro anos.
A explicação para esse resultado passa pela complexidade do sistema proporcional de votação e, especialmente, pelos quocientes eleitoral e partidário.
Miltinho, do PDT, é um dos parlamentares que, apesar de ter obtido uma votação significativa, não garantiu uma cadeira na Câmara Municipal. Nas eleições de 2020, ele teve 4.176 dos votos válidos, e em 2024, 7.892
“Não acredito em erro ao escolher a legenda, pois é muito relativo. Em 2020, eu saí do PV para ir para o PDT e fui eleito, coisa que não aconteceria caso tivesse concorrido pelo PV em 2020", afirmou.
Para ele, a explicação do resultado está relacionada à falta de estrutura financeira da chapa, que acabou não conseguindo a votação esperada.
"Avalio que não foi por falta de votos de minha candidatura, pois dobramos nossa votação. Foi demonstrado, através de oito mil votos, que trabalhamos muito para dar voz aos animais e isso é gratificante”, concluiu.
Wilsinho da Tabu, que concorreu pelo Podemos, também não considera que houve um erro estratégico na escolha da legenda, apesar do revés. Em 2020, Wilsinho conquistou 3.734, e em 2024, teve 5.431.
“Aumentamos cerca de 1.700 votos. Infelizmente, não foi o suficiente para estarmos eleitos”, lamentou.
Já Ciro Pereira, do Republicanos, teve nas eleições municipais de 2020, 4.340 e em 2024, 7.311 dos votos válidos.
Entenda o sistema eleitoral proporcional
Diferente das eleições majoritárias, como as de prefeito, onde o candidato com mais votos vence, o sistema proporcional utilizado nas eleições para vereador leva em consideração não apenas a votação individual, mas também os votos recebidos pelo partido ou coligação.
O quociente eleitoral é o número de votos válidos (excluídos brancos e nulos) dividido pelo número de cadeiras em disputa.
Esse cálculo determina quantos votos são necessários para que um partido ou coligação conquiste uma vaga na Câmara.
Já o quociente partidário é obtido dividindo o número total de votos que um partido ou coligação obteve pelo quociente eleitoral, definindo quantas vagas essa legenda terá direito.
Mesmo que um candidato, individualmente, tenha uma boa votação, se o partido ou coligação não atingir o quociente eleitoral, ele pode não ser eleito.
O sistema tem o objetivo de garantir uma representação proporcional das diversas correntes políticas na Câmara.
Jessica de Almeida é repórter multimídia e colabora com reportagens para a Itatiaia. Tem experiência em reportagem, checagem de fatos, produção audiovisual e trabalhos publicados em veículos como o jornal O Globo e as rádios alemãs Deutschlandfunk Kultur e SWR. Foi bolsista do International Center for Journalists.



