Defesa de Zambelli recorre à Corte italiana para travar extradição
Advogado alega irregularidades no processo e tenta reiniciar análise do caso na Itália

A defesa da ex-deputada federal Carla Zambelli afirmou nesta quinta-feira (26) que vai recorrer à Suprema Corte da Itália contra a decisão que autorizou sua extradição ao Brasil. A declaração foi feita pelo advogado Fabio Pagnozzi após a Corte de Apelação de Roma dar aval ao envio da parlamentar.
Segundo Pagnozzi, a equipe jurídica já acionou a Corte de Cassação, instância máxima do Judiciário italiano, com um pedido para reiniciar o processo de extradição. O argumento é de que houve “diversas irregularidades” ao longo da tramitação: “O Tribunal decidiu pela extradição, mas nós protocolamos um pedido de substituição dos juízes por irregularidades no processo. Esse pedido foi negado e agora está sob análise da Corte de Cassação”, afirmou o advogado.
A defesa também informou que pretende apresentar um novo recurso no prazo de até 15 dias, contestando a decisão da Corte de Apelação. De acordo com Pagnozzi, enquanto esses recursos estiverem em análise, Zambelli não pode ser extraditada.
Apesar disso, a autorização da Justiça italiana mantém o processo em andamento, o que pode significar um novo caminho para a extradição. Pela legislação do país, a palavra final cabe ao ministro da Justiça, Carlo Nordio, que pode confirmar ou barrar a entrega.
O advogado ainda afirmou que, caso o ministro não se manifeste, há a possibilidade de libertação da ex-deputada, cenário que, na prática, depende de interpretações legais e do andamento do caso dentro do governo italiano.
Durante a declaração, a defesa também levantou questionamentos sobre a condução do processo e citou possível influência de autoridades brasileiras, sem apresentar provas públicas.
Carla Zambelli foi condenada pelo Supremo Tribunal Federal em dois processos: um relacionado à invasão de sistemas do Conselho Nacional de Justiça e outro por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal. As penas somadas ultrapassam 15 anos de prisão.
A ex-deputada está presa na Itália desde julho de 2025. Com a decisão da Corte de Apelação, o caso entra agora em uma fase decisiva, marcada pela análise de recursos e pela avaliação do governo italiano sobre a extradição.
Aline Pessanha é jornalista, com Pós-graduação em Marketing e Comunicação Integrada pela FACHA - RJ. Possui passagem pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, como repórter de TV e de rádio, além de ter sido repórter na Inter TV, afiliada da Rede Globo.
