Deputada de direita aciona Polícia Legislativa e acusa assessora de vereador do PT de ameaçá-la
Maria Tereza dos Santos é assessora do vereador de BH, Pedro Patrus; Petista diz que funcionária foi provocada

A deputada governista, Chiara Biondini (PP), prestou depoimento, nesta quarta-feira (28), na Polícia Legislativa, para formalizar uma queixa contra uma assessora do PT. Segundo a parlamentar, a assessora do vereador de Belo Horizonte, Pedro Patrus (PT), ameaçou agredi-la com um tapa na cara durante uma audiência pública na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). A parlamentar irá se reunir nas próximas horas com a equipe de advogados e com o pai, o deputado federal Eros Biondini (PL), para analisar se irá registrar boletim de ocorrência na Polícia Militar ou acionar a Polícia Civil para investigar o caso.
A confusão aconteceu durante uma audiência pública da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, nessa terça-feira (27). A parlamentar registrou o boletim de ocorrência internamente na Assembleia poucas horas após a confusão e retornou para prestar depoimento nesta quarta.
Neste cenário, a deputada conservadora foi defender uma pauta de direita em uma reunião composta majoritariamente por representantes de esquerda. Foi neste momento que a assessora do vereador Pedro Patrus (PT), Maria Tereza dos Santos, se irritou e levantou do lugar reservado para convidados. A deputada alega que Dona Tereza, como é conhecida nos movimentos de direitos humanos, ameaçou agredi-la com um tapa na cara.
“Cheguei na (deputada) Ana Paula e perguntei se poderia trazer uma pauta que não é a pauta que está acontecendo na comissão, mas que faz parte da defesa da mulher. Que é uma pauta cara para o meu mandato. Expliquei o que aconteceu e comecei a falar sobre a pauta da vida, contra o aborto e nisso, enquanto eu falava, obviamente, todo mundo em volta de mim cochichando, debochando, rindo, fazendo caras e bocas… até aí, ok, expressão normal e democrática”, descreve Chiara.
“Quando acabei a minha fala uma mulher se levanta, olha para a deputada Ana Paula e fala ‘eu não vou te respeitar’, gritando, berrando, me xingando, com o dedo na minha cara, me chamando de menina, bolsonarista, xingando o papa porque citei ele na minha fala. Me assustei com aquela postura, muito agressiva. Ela sai, eu espero, e quando saio eu passo na porta da galeria e escuto a seguinte frase: ‘se você ficar aqui eu vou dar um tapa na sua cara’. Disse não ter entendido e ela afirmou: ‘você merece muito apanhar, menina’”, completa.
A parlamentar conservadora afirma que estava aberta a críticas das colegas de esquerda. No entanto, Chiara Biondini criticou a postura da assessora do vereador Pedro Patrus.
“Eu no meu direito parlamentar, no meu horário de trabalho, em uma comissão de direito da mulher, onde tinham outras três deputadas além de mim, fazendo um discurso da minha pauta onde eleitores me elegeram para estar ali, todas as outras mulheres, deputadas, poderiam falar criticando, se opondo, mas respeitar a mim, a minha autoridade. É a terceira vez que acontece comigo simplesmente por ter uma postura de direita, conservadora”, afirma a deputada.
“Não me amedronta, mas me assusta”, desabafa Chiara. “Porque são essas mesmas mulheres que fazem tanto apelo pela defesa da mulher, mas aí uma deputada mulher, dentro de uma comissão de Defesa da Mulher, faz o uso da palavra para defender o que acredita é xingada a ponto de falarem que merecia apanhar. A que ponto chegamos? Uma deputada no seu ambiente de trabalho correndo o risco de apanhar, e mais uma vez por uma assessora de alguém do PT”, afirma.
Na audiência pública, a assessora Maria Tereza teve direito a fala após deputada Chiara Biondini deixar a reunião. Em um dos trechos, Maria Tereza afirmou que gostaria de fazer a deputada "engolir tudo que ela falou".
O outro lado: gabinete de vereador do PT diz que assessora foi provocada
A Itatiaia procurou o gabinete Pedro Patrus (PT), que informou que a assessora não será punida. "Depois de apurarmos o que aconteceu, não entendemos que a troca de provocações entre a Dona Tereza e a deputada Chiara deveria acarretar punição para a assessora. Na verdade, ela já está sendo punida com uma série de ataques que deslegitimam sua luta e sua história".
A equipe petista disse ainda que analisou as imagens da confusão e conversou com pessoas que estavam presentes na audiência pública. O vereador afirma que a funcionária foi provocada pela deputada Chiara Biondini e alegou que "a reação da Dona Tereza é um grito de quem não aguenta mais as provocações e os absurdos da extrema-direita".
Confira a o posicionamento na íntegra do vereador Pedro Patrus (PT):
"Na tarde de ontem, durante a audiência pública sobre dignidade menstrual realizada na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, houve um desentendimento entre a deputada estadual Chiara Biondini e Dona Tereza, assessora do nosso mandato.
Dona Tereza, mulher negra de 65 anos, é uma referência na luta pelos direitos das mulheres, contra o encarceramento em massa e pela juventude negra periférica. Ela se sentiu profundamente ofendida pela fala da deputada, que fugia ao escopo da audiência e desconsiderava a realidade vivida por muitas mulheres negras no Brasil, além de ignorar o debate público atual sobre a saúde reprodutiva das mulheres. Diante de todo o repertório de Dona Tereza junto a mulheres que enfrentam a dura realidade do encarceramento, da falta de oportunidades e da violência cotidiana, o pronunciamento da deputada surtiu uma grande revolta.
Tereza pediu a palavra, mas não pôde se pronunciar. Após esse momento, a deputada fez questão de provocá-la com escárnio antes de deixar o espaço. A reação enérgica de Dona Tereza foi uma expressão legítima de quem há décadas luta para ser ouvida. Seu ímpeto, no momento, foi o de se posicionar de maneira firme contra uma retórica conservadora que mina os direitos da população mais vulnerável. Sua reação pode ser lida como um esgotamento frente a um discurso que insiste em excluir a realidade das mulheres negras e periféricas em decisões que impactam diretamente suas vidas.
Mulheres negras são constantemente silenciadas e violentadas tanto simbólica como fisicamente. A reação a essas opressões diárias é confundida com violência, quando sabemos que muitas dessas mulheres enfrentam a exaustão frente a tantos ataques que desconsideram as desigualdades sociais, de gênero e de raça. Lamentamos o ocorrido, mas reafirmamos que garantir voz a quem historicamente foi marginalizado é uma prioridade do nosso mandato.
O nosso compromisso é sempre com o diálogo e, sobretudo, com a escuta das pessoas que quase nunca tem vez nos espaços de poder".
Posicionamento da Deputada Ana Paula Siqueira
"Enquanto presidia a audiência pública da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher sobre Dignidade e saúde menstrual, ocorreu no corredor externo um tumulto ocasionado pelo enfrentamento entre uma manifestante e a Deputada Chiara Biondini. Por ocasião deste episódio, suspendi a sessão e acompanhei o desenrolar dos acontecimentos.
O relato do incidente foi encaminhado internamente e as medidas cabíveis foram tomadas. O Parlamento é ambiente de permanente disputa de pontos de vista e posições ideológicas, mas a discussão das ideias nunca deveria caminhar para enfrentamentos entre pessoas.
Lamentamos o ocorrido e continuamos atuando para que a promoção das políticas públicas em favor das mulheres continue a avançar na Assembleia Legislativa de Minas Gerais."
Correspondente da Rádio Itatiaia em São Paulo. Apresentador do quadro Palavra Aberta e debatedor do Conversa de Redação. Ingressou na emissora em 2023. Começou no rádio comunitário aos 14 anos. Graduou-se em jornalismo pela PUC Minas. No rádio, teve passagens pela Alvorada FM, BandNews FM e CBN, no Grupo Globo. Na Band, ocupou vários cargos até chegar às funções de âncora e coordenador de redação na Band News FM BH. Na televisão, participava diariamente da TV Band Minas e do Band News TV. Vencedor de nove prêmios de jornalismo. Em 2023, foi reconhecido como um dos 30 jornalistas mais premiados do Brasil.



