Decisão do TCE contra reajuste em rodovias de Minas gera insegurança jurídica, diz especialista
Professor da FDC, Paulo Resende entende que investidores de concessionárias que administram rodovias podem ver decisão com receio

A decisão do TCE contra o reajuste contratual na concessão de rodovias em Minas Gerais pode gerar insegurança jurídica e prejudicar investimentos no estado. É o que entende Paulo Resende, professor da FDC especialista em logística, transporte e planejamento de operações.
No o último dia 7 de outubro, por exemplo, o TCE suspendeu a aplicação de um aumento nas tarifas de pedágio previsto em contrato na concessão da EPR Sul de Minas. O aumento previsto era de aproximadamente 4,9%, mas a aplicação foi suspensa.
“Decisões dessa natureza fazem com que haja uma lembrança de uma época em que o Brasil tomou decisões de rupturas de contratos, questionamentos sobre preços de pedágios, entre várias outras situações, que provocaram entre os investidores certo receio de investimento no país. Sob a ótica do investidor, os questionamentos sobre reajustes de tarifas de pedágios geram instabilidade financeira de curto prazo e acentuam o risco regulatório. Isso impacta diretamente a previsibilidade do fluxo de caixa e o valor de mercado das próprias concessionárias”
Ainda segundo Paulo Resende, os usuários das rodovias podem sentir o impacto final desse tipo de medida.
"Os contratos de concessão possuem cláusulas rígidas de reequilíbrio. Se uma decisão judicial ou política impede o reajuste inflacionário legal, a dívida que o estado tem com a concessionária acumula. Então, mais cedo ou mais tarde, a conta chega para o usuário no formato desse efeito 'bumerangue'", explicou.
"O reequilíbrio contratual costuma ser cobrado de duas formas: aumentos futuros mais expressivos e concentrados de tarifas quando existe uma disputa judicial que transita em julgado e a extensão do prazo do pedágio. A população vai pagar tarifas por mais cinco, dez anos além do previsto originalmente", acrescentou.
Por fim, o professor entende que ainda é possível reverter a decisão do TCE no caso da EPR Sul de Minas. A preocupação é em relação ao recado que a insegurança jurídica passa para o mercado.
"O caso da EPR da Sul de Minas é o exemplo. É a concessão em foco. Acontece que os efeitos ultrapassam uma concessão específica. Porque ele contamina o mercado", apontou.
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