Belo Horizonte
Itatiaia

Corregedoria da Câmara não consegue notificar Deltan de cassação após três tentativas

Decisão do TSE, agora, será publicada no Diário Oficial da União para abertura de prazo de defesa; político do Podemos terá cinco dias úteis para se manifestar

Por e 
Deltan diz que decisão do TSE por cassação foi 'política'
Deltan diz que decisão do TSE por cassação foi 'política' • Pablo Valadares/Câmara dos Deputados

A Corregedoria da Câmara dos Deputados não conseguiu notificar pessoalmente Deltan Dallagnol (Podemos-PR) da decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de cassar seu mandato parlamentar. Servidores do setor tentaram entregar o documento a ele por três vezes — a última diligência foi feita nesta segunda-feira (22). Sem sucesso nas investidas, a Câmara vai publicar a notificação no Diário Oficial da União (DOU).

A informação foi confirmada à Itatiaia pela equipe da Câmara dos Deputados. A partir do primeiro dia útil após a notificação ser publicada no DOU, Deltan terá cinco dias úteis para se manifestar, por escrito, a respeito da cassação. O corregedor  da Câmara é o deputado Domingos Neto (PSD-CE).

O rito da Câmara a respeito da interrupção do mandato de Deltan será meramente burocrático. A Constituição Federal dá ao Parlamento a prerrogativa de se manifestar sobre a cassação de deputados federais. Em 2009, a Mesa Diretora publicou o Ato da Mesa nº 37, que regulamenta os procedimentos da Corregedoria Parlamentar sobre situações como a de Deltan Dallagnol, cuja cassação foi definida no Judiciário.

De acordo com o artigo 5º do documento - mencionando os incisos IV e V do artigo 55 da Constituição Federal - nos casos de perda de mandato decorrentes da suspensão dos direitos políticos e por decisão da Justiça Eleitoral - a decisão da Câmara dos Deputados é restrita apenas aos "aspectos formais" da decisão judicial.

Isso significa que, nesse caso específico, o parlamentar não pode apelar ao Legislativo para que o mérito da decisão - ou seja, a sua cassação - seja discutido e, eventualmente, alterado.

Divergências

A decisão do TSE está baseada no entendimento de que Deltan pediu exoneração do Ministério Público Federal (MPF) para escapar de processos administrativos — que poderiam evoluir para inquéritos administrativos no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP). O ex-procurador, por sua vez, afirma que o resultado do julgamento foi “político”.

"Como explicar para a sociedade brasileira que Lula, condenado em três instâncias por corrupção, está elegível e com mandato e que Deltan, que não foi investigado, acusado e processado criminalmente, muito menos acusado administrativamente, porque não existia PAD (Processo Administrativo Disciplinar), se tornou inelegível? Como explicar essa absurda contradição? O TSE alegou que eu fraudei a lei, mas está muito claro que quem fraudou a lei foi o TSE. Certamente foi (um julgamento) político", afirmou, em entrevista a O Estado de S. Paulo, em menção ao presidente. Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Deltan deve tentar reverter a cassação no Supremo Tribunal Federal (STF). O Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) apontou o pastor Itamar Paim, do PL, como herdeiro da vaga do ex-procurador.

Por

Editor de política. Foi repórter no jornal O Tempo e no Portal R7 e atuou no Governo de Minas. Formado em Comunicação Social pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), tem MBA em Jornalismo de Dados pelo IDP.

Por

Graduado em Jornalismo, é repórter de Política na Itatiaia. Antes, foi repórter especial do Estado de Minas e participante do podcast de Política do Portal Uai. Tem passagem, também, pelo Superesportes.