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Como as eleições na Argentina podem afetar os interesses brasileiros no Mercosul?

Se o candidato da direita, Javier Milei, vencer as eleições, governo brasileiro enfrentará forte oposição dentro do bloco

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Presidente Argentino Alberto Fernández e presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva
Presidente Argentino Alberto Fernández e presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva • Ricardo Stuckert

O primeiro turno das eleições na Argentina mobilizou políticos brasileiros da direita e da esquerda. Parlamentares como os deputados federais Eduardo Bolsonaro (PL) e Marcel van Hattem (Novo) foram ao país vizinho acompanhar o pleito de perto. A direita brasileira se uniu em torno do nome de Javier Milei que ficou em segundo lugar na disputa em segundo turno.

Já o candidato da situação, Sérgio Massa, que saiu na frente, tem apoio da esquerda. O atual ministro da economia argentino é benquisto, inclusive, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), aliado de primeira ordem do atual presidente Alberto Fernández.


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A Argentina é um dos principais parceiros comerciais do Brasil e também é um aliado dentro do Mercosul. A vitória de Massa garantiria ao governo brasileiro a manutenção dos planos e apoio nas pautas propostas dentro do bloco. No entanto, a vitória de Milei significaria a chegada de mais uma voz dissonante dentro do grupo econômico. Atualmente, o presidente do Uruguai, o liberal Luis Lacalle Pou, tem feito este papel. Por enquanto, porém, ele é uma voz isolada.

Dolarização

Um dos pontos de discordância de Milei que podem virar um grande problema para o Brasil, caso ele seja eleito, é a defesa de uma dolarização da economia e, consequentemente, do bloco. A postura do argentino bate de frente com uma proposta, considerada prioritária por Lula, de criar uma moeda comum para o Mercosul. Além disso, o Brasil busca unidade do bloco, inclusive, para fechar o acordo com a União Europeia sem ceder às pressões impostas pelos europeus. O ministro Fernando Haddad (PT) chegou a dizer que acompanha "com interesse" as eleições no país vizinho por prezar pela "integração da América do Sul".

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Edilene Lopes é jornalista, cientista política, repórter e colunista da Itatiaia e analista da CNN Brasil. Com experiência em coberturas nacionais e internacionais, tem ampla experiência em entrevistas exclusivas com presidentes da República. Foi eleita a melhor repórter de rádio do Brasil pelo Troféu Mulher Imprensa e também venceu o Prêmio Jornalistas Negros +Admirados.

 

 

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