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Comissão da ALMG questiona plano que pune PMs que não prendem em casos de crimes violentos

Programa Produtividade da Polícia Militar de Minas Gerais se tornou alvo de críticas na Assembleia Legislativa

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Comissão da ALMG questiona plano de produtividade implementado pela PM de Minas Gerais • ALMG/Reprodução

Os policiais que atendem ocorrências de crimes violentos e não prendem ninguém são punidos com perda de pontos no Programa Produtividade da Polícia Militar, em Minas Gerais.

Na semana passada, a reportagem da Itatiaia mostrou que o documento prevê pontuações para os PMs que multam motoristas e determinam remoção de veículos para o pátio.

No final do mês, os pontos são somados e geram benefícios como menções com elogios, notas meritórias e até dias de folga.

Nesta segunda reportagem, a Itatiaia mostra que, além de premiações, o Programa Individual Produtividade (PIP) também prevê punições. Atender uma ocorrência de crime violento e não levar ninguém para delegacia provoca uma redução de 10 pontos no sistema de premiação da PM.

O presidente da Comissão de Segurança Pública da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, deputado Sargento Rodrigues (PL), afirma que o documento coloca os policiais sob pressão.

“Se no turno de serviço acontecer algum crime violento e não houver prisão do autor ou dos autores, a planilha prevê menos 10 pontos, como se o policial fosse obrigado a prender o autor, não pela sua capacidade de resposta, pelo efetivo, ele é obrigado no turno dele a prender o autor”, diz o deputado.

'Política de encarceramento'

A vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos, deputada Bella Gonçalves (PSOL), afirmou que o sistema força os policiais a executarem mais prisões, o que contribui, na avaliação da parlamentar, para o encarceramento em massa.

“Isso é absurdo. Isso não melhora o trabalho dos policiais, nem aumenta o controle e a transparência da fiscalização. O que melhora a carreira policial é a valorização, a recomposição salarial dos servidores da segurança pública. Forçar o policial a efetuar prisões não é positivo para a segurança pública. Isso só reforça o encarceramento em assa da população”, criticou Bella.

Comandante rebate críticas

Na Assembleia Legislativa, o comandante-geral da Polícia Militar do Estado, coronel Rodrigo Piassi, defendeu o sistema de Programa Individual de Produtividade. Apesar de confirmar que os policiais perdem pontos, Piassi afirmou que não é uma penalização.

“Essas formas de estabelecer incentivos à produtividade, não fossem compreendidas ou deturpadas como punição ao nosso policial, muito pelo contrário, devem ser compreendidas como nosso desejo de fazer com que o policial militar esteja 100% orientado a ocupar posições e realizar ações que evitem o crime”, explicou o comandante.

Com deputados questionando a legalidade e o comandante dizendo que o sistema é legal, a Itatiaia foi ouvir uma especialista em Direito Público.

A advogada Maria Fernandes Pires defende o programa a utilização de programas de produtividade e ressalta que o mecanismo é legal. Apesar disso, ao ter acesso ao documento enviado por nossa reportagem, a advogada afirmou que não considera ideal utilizar o sistema para punir.

“Que existe esse mesmo mecanismo, mas que a ideia seja cumprir mandados que estejam em aberto. Você tem mandados expedidos e a medida poderia dar bonificações para o cumprimento deste mandato. Outra situação interessante seriam as metas para redução da criminalidade”, avalia a advogada.

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Correspondente da Rádio Itatiaia em São Paulo. Apresentador do quadro Palavra Aberta e debatedor do Conversa de Redação. Ingressou na emissora em 2023. Começou no rádio comunitário aos 14 anos. Graduou-se em jornalismo pela PUC Minas. No rádio, teve passagens pela Alvorada FM, BandNews FM e CBN, no Grupo Globo. Na Band, ocupou vários cargos até chegar às funções de âncora e coordenador de redação na Band News FM BH. Na televisão, participava diariamente da TV Band Minas e do Band News TV. Vencedor de nove prêmios de jornalismo. Em 2023, foi reconhecido como um dos 30 jornalistas mais premiados do Brasil.

 

 

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