Celular de investigado pelo 8 de janeiro deu início a investigação contra Gayer
Segundo inquérito, mensagens de WhatsApp entre os assessores indicam que irregularidades apuradas pela Polícia Federal já era conhecida pelos investigados

O celular de um assessor do deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO) teria sido o pontapé inicial para que a Polícia Federal (PF) desse início a investigação contra o deputado por um suposto desvio de recursos públicos da cota parlamentar. A suspeita é que o dinheiro destinado para custear o mandato tenha sido usado para bancar o aluguel de um curso de inglês e de uma loja online.
De acordo com a manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR), mensagens apreendidas no celular do empresário João Paulo de Sousa Cavalcante, que foi preso e teve a quebra do sigilo telefônico autorizada, chamaram a atenção dos investigadores.
“Após a análise do celular apreendido em poder de JOÃO PAULO DE SOUZA CAVALCANTE (sic), a Polícia Federal colheu elementos informativos do desvio de recursos públicos para a prática dos atos antidemocráticos, prática levada a efeito conjuntamente com o Deputado Federal GUSTAVO GAYER MACHADO DE ARAÚJO (sic). Tais fatos serviram de base à instauração da PET n. 12.042/DF, na qual foi concedida autorização para a investigação do parlamentar”, diz o trecho da decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que autorizou a operação contra Gayer e assessores nesta sexta-feira (25).
“Eu fico preocupado porque eu já falei pro Gustavo. Um dia eu chamei a atenção sobre a questão da escola de inglês, num é mais escola de inglês, mas fica tendo aula, sabe... descobri lá um dia eu nem sabia, aí a Letícia falou lá que tá tendo aula na terça e na quinta presencial, entendeu? Ou seja, a escola tá sendo paga com recurso público e tá sendo usada para um fim totalmente, que tipo, num existe né? Num tem como ser assim e aí eles vão levantou, ou seja, ainda não entenderam a gravidade, sabe?”, diz um trecho da mensagem enviada por João Paulo de Souza a um membro do gabinete.
Os investigados na operação são:
- Gustavo Gayer - deputado federal
- João Paulo de Souza Cavalcante - assessor e dono do portal Goiás Online
- Letícia Bruno de Araújo - chefe de
- Bruno Amaral Machado
- Joselene Maria Sergia Bastos
- Vanderly Araújo de Carvalho
O que diz o deputado
Em um vídeo publicado em sua conta no Instagram, Gayer disse não saber o motivo de ter sido alvo da operação. Além de negar as irregularidades apontadas pela PF, o deputado também reclamou de não ter acesso à investigação e ter sido acordado por policiais que teriam ‘esmurrado’ a sua porta.
“O que eu sei até agora é que esse inquérito foi aberto no mês passado, 24 de setembro, né? [...] Não dá pra saber nada, não dá pra ter nenhuma informação sobre o que se trata. Eu sei que alguns assessores meus também receberam a busca e apreensão. Um deles, inclusive, é um que trabalha com rede social, fazendo card e vídeo. Esse é o Brasil que a gente vive, gente. Esse é o Brasil que a gente está vivendo agora”, alegou o deputado.
Crítico ferrenho do STF e parte da tropa de choque do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Gayer acusou o ministro Alexandre de Moraes de perseguição contra ele.
“Alexandre de Moraes, eu não sei se o senhor já percebeu, mas quando o senhor for mandar fazer uma busca e apreensão na casa de alguém, essa pessoa é como se recebesse naquele momento o carimbo de honesto. Como se naquele momento ela estivesse recebendo o carimbo de que é uma pessoa idônea, honesta, que luta pela democracia, que luta para libertar o Brasil”, criticou o deputado.
Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio



