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Campanhas de Lula e Flávio reavaliam estratégias para último debate

Analistas apontam erros dos candidatos no debate da Band e avaliam que confronto na Globo pode influenciar eleitores indecisos no segundo turno

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Lula e Flávio Bolsonaro falaram sobre o fim da escala 6x1
Lula e Flávio Bolsonaro falaram sobre o fim da escala 6x1 • Reprodução

As campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) devem rever a postura dos candidatos antes do último debate do segundo turno, marcado para sexta-feira (23), na TV Globo. Analistas da CNN avaliaram que os dois cometeram erros e perderam oportunidades no debate da TV Bandeirantes.

Durante o WW, o analista de política da CNN, Caio Junqueira, destacou que a preparação é decisiva em debates eleitorais. Segundo ele, Lula pode ter subestimado esse aspecto por causa da experiência acumulada em confrontos televisionados.

Para Junqueira, o presidente teve melhor desempenho nos momentos em que agiu de maneira mais espontânea. O analista citou as falas de Lula sobre a pandemia e a declaração de que torcia para que todos os presidiários votassem nele, inclusive o pai de Flávio.

Por outro lado, Junqueira avaliou que Lula acabou entrando nas provocações do adversário e chegou ao debate com a convicção de que não precisaria estar ali, considerando as diferenças entre as trajetórias dos dois candidatos.

Flávio foi bem treinado, mas não convenceu sobre preparo

A âncora e analista de Economia da CNN, Thais Herédia, avaliou que Lula demonstrou dificuldades diante das câmeras. Segundo ela, o presidente não deu boa noite, não pediu votos e pareceu perdido em alguns momentos.

Flávio também recebeu críticas. Para Herédia, o candidato do PL demonstrou estar bem treinado e encontrou uma forma de se comunicar, mas não conseguiu transmitir a imagem de alguém preparado para governar o Brasil.

A analista acrescentou que a avaliação de Lula de que Flávio seria um candidato menor impediu o petista de explorar esse argumento de maneira mais eficaz durante o debate.

O CEO da Nexus, Marcelo Tokarski, afirmou que o desafio de Flávio é conquistar eleitores que ainda não o conhecem bem. Segundo ele, o candidato chegou ao segundo turno impulsionado principalmente pelo sobrenome da família e apareceu com 30% das intenções de voto na primeira pesquisa em que foi testado.

Tokarski também comparou os gestos e trejeitos de Flávio atrás de Lula durante o debate à estratégia adotada por Donald Trump no confronto contra Hillary Clinton, nos Estados Unidos.

Campanha de Lula enfrenta divisão na comunicação

O diretor de Jornalismo da CNN em Brasília, Daniel Rittner, apontou uma divisão na equipe de comunicação de Lula, situação que, segundo ele, se repete ao longo do atual governo.

De acordo com Rittner, o marqueteiro Sidônio Palmeira demonstrou nervosismo nos bastidores da TV Bandeirantes, o que teria afetado o próprio candidato. A atuação de Sidônio também foi contestada publicamente.

O influenciador Jones Manoel, eleito deputado federal por Pernambuco como o segundo mais votado do estado, também criticou a comunicação da campanha petista.

Em relação a Flávio, Rittner alertou que a postura agressiva durante o debate pode prejudicar o candidato, ao transmitir uma imagem de falta de equilíbrio emocional e de comportamento incompatível com o de um estadista.

Debate da Globo pode influenciar eleitores indecisos

Tokarski afirmou que cerca de 8,4% do eleitorado ainda pode mudar de voto até o dia da eleição. Segundo ele, as pesquisas indicam vantagem de Flávio nos votos válidos, mas por uma margem pequena, entre um e três pontos percentuais.

O CEO da Nexus também alertou para o risco de abstenção entre eleitores que apoiam Flávio, principalmente para derrotar Lula, e não por identificação com o candidato. Esse grupo poderia deixar de votar por acreditar que o resultado já estaria garantido.

Para Tokarski, a eleição ainda está longe de ser definida.

O último debate do segundo turno, marcado para sexta-feira (23), na TV Globo, pode influenciar os eleitores indecisos, que costumam tomar a decisão final nas últimas 48 horas antes da votação.

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