Nunes Marques diz que narrativa política não pode justificar desinformação eleitoral
Presidente do TSE afirma que informações falsas podem causar danos à democracia e cobra responsabilidade de candidatos, políticos e instituições na campanha

A cinco dias do segundo turno das eleições presidenciais, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, cobrou responsabilidade de instituições, candidatos, políticos, juízes e cidadãos na circulação de informações durante a campanha. Segundo ele, narrativas políticas não podem servir de justificativa para a disseminação de conteúdos falsos.
Em declaração ao Estadão, o ministro afirmou que a desinformação pode provocar danos à democracia e ressaltou que a Justiça Eleitoral continuará trabalhando para oferecer informações confiáveis aos eleitores.
“A Justiça Eleitoral trabalha, de forma transparente, visando sempre à informação de qualidade ao eleitor. Esse trabalho não pode ser capturado pela narrativa política. A desinformação pode gerar danos irreparáveis à democracia. Os agentes do sistema eleitoral, em todas as suas esferas, precisam ter responsabilidade”, disse Nunes Marques.
A manifestação ocorreu no dia seguinte ao debate da Band entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidatos que disputam o segundo turno. No encontro, os dois trocaram acusações e apresentaram dados sobre a administração pública e investigações criminais.
O Estadão Verifica checou declarações feitas pelos candidatos durante o debate. Segundo a análise publicada pelo veículo, a maioria das afirmações de Flávio Bolsonaro selecionadas para a checagem foi classificada como descontextualizada, enganosa ou falsa. Lula apresentou mais declarações verdadeiras na comparação, mas também fez afirmações consideradas enganosas, exageradas ou imprecisas.
Os candidatos voltam a se encontrar em um debate marcado para sexta-feira (23), na TV Globo.
TSE registra mudanças em locais de votação
A declaração de Nunes Marques ocorre em meio a críticas ao TSE por alterações nos locais de votação em diferentes regiões do país. O tribunal afirma que mudanças entre o primeiro e o segundo turno são procedimentos previstos e coordenados pelos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs), conforme as necessidades de cada localidade.
Entre os motivos para as alterações estão previsões de chuvas intensas, risco de alagamentos e condições adversas identificadas durante o primeiro turno.
Até segunda-feira (19), a Justiça Eleitoral havia registrado 444 mudanças em locais de votação. O número ainda poderia ser atualizado até o dia da votação.
Como comparação, entre o primeiro e o segundo turno das eleições de 2022, as alterações alcançaram cerca de 5,8 mil locais de votação.
O TSE sustenta que as mudanças buscam garantir condições adequadas para a realização do pleito. A orientação é que os eleitores consultem os canais oficiais da Justiça Eleitoral para confirmar o endereço de votação antes de sair de casa.
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