Brasileiro fala menos de política no WhatsApp, revela estudo
Pesquisa da InternetLab e da Rede Conhecimento Social mostra que o brasileiro evitam o assunto porque o ambiente está 'mais agressivo'

Um estudo de 2024 revela que o compartilhamento de notícias de política caiu do WhatsApp, o principal aplicativo de troca de mensagens utilizado pelos brasileiros. O levantamento divulgado nesta segunda-feira (15) revela que 31% das pessoas compartilhavam notícias de política em grupos de família, e 29% em grupos de amigos em 2023, percentual que caiu para 27% e 24% respectivamente no ano passado.
O compartilhamento de notícias políticas também caiu nos grupos de trabalho, apesar do percentual de pessoas que fazem parte de alguma comunidade profissional ser menor. Em 2023, 13% compartilhavam esse tipo de informação, enquanto em 2024 foram 11%. A queda é uma tendência observada desde 2022, quando 39% compartilhavam notícias de política com a família, 38% com os amigos, e 16% com colegas de trabalho.
Os dados fazem parte do estudo “Os vetores da comunicação política em aplicativos de mensagens”, do centro independente de pesquisa InternetLab e pela Rede Conhecimento Social, instituições sem fins lucrativos. A pesquisa foi realizada online com 3.113 pessoas de 16 anos ou mais que usam WhatsApp e/ou Telegram nas cinco regiões do Brasil. A margem de erro é de 3 pontos percentuais.
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A pesquisa é realizada desde 2021, quando, na época, 34% compartilhavam informações sobre política em grupos de família, 38% em grupos de amigos, e 16% em grupos de trabalho. Segundo o levantamento, embora pareçam notícias de política nos grupos, há uma percepção de que as pessoas estão mais contidas em discutir sobre o assunto.
A pesquisa identificou que mais da metade das pessoas no WhatsApp participam de grupos de família (54%) e amigos (53%). Cerca de 38% ainda participam de grupos de trabalho. Apenas 6% estão em grupos específicos sobre política.
Ambiente agressivo
Ainda de acordo com a pesquisa, 56% dos entrevistados afirmam sentir medo de emitir uma opinião sobre política porque o ambiente está “agressivo”. Esse número era 55% em 2023 e 57% em 2024. Esse receio é compartilhado por 63% das pessoas que se identificam como de esquerda, 66% de centro, e 61% de direita.
Outras 52% das pessoas também afirmaram que se policiam cada dia mais sobre o que falam em grupos. Esse recorte teve uma queda expressiva desde 2021, quando 58% se autorregulavam. Já 50% evitam falar de política para fugir de brigas, percentual que era 52% em 2022.
Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.



