Bolsonaro nega conhecimento de plano para matar Lula: ‘'nunca aconteceu'
Indiciado por tentativa de golpe, Bolsonaro nega planos de assassinato e alega que sempre agiu dentro da lei

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) negou, em entrevista à revista Veja publicada nesta sexta-feira (22), que tenha tido conhecimento do suposto plano para assassinar autoridades, revelado pela Polícia Federal (PF) na última terça-feira (19). De acordo com a investigação, militares próximos ao governo de Bolsonaro teriam elaborado um esquema para matar o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, o então presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o vice-presidente da chapa, Geraldo Alckmin (PSB) em 2022.
As chamadas "minutas golpistas", documentos apreendidos pela PF, indicam a intenção de decretar medidas de exceção, como estado de defesa e estado de sítio, para impedir a posse de Lula. Bolsonaro sustenta que nunca buscou uma ruptura democrática, argumentando que as ações, previstas na Constituição, necessitariam de aprovação legislativa.
Trama envolveu militares
Entre os investigados está o general da reserva Mario Fernandes, que, segundo a PF, guardava em um HD externo o plano para assassinar autoridades. Em mensagem de 8 de dezembro de 2022, Fernandes teria dito ao tenente-coronel Mauro Cid que havia conversado com Bolsonaro na véspera, e o ex-presidente teria afirmado que "qualquer ação nossa pode acontecer até 31 de dezembro".
A PF indiciou Bolsonaro e outras 36 pessoas na última quinta-feira (21), acusando o grupo de crimes como tentativa de golpe de Estado, organização criminosa e abolição violenta do Estado democrático de Direito. Entre os investigados estão os ex-ministros militares Braga Netto e Augusto Heleno.
Agora, o relatório da PF será analisado pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que decidirá se apresentará denúncia contra os envolvidos ao STF.
Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio



