Bolsonaro diz ao STF que não autorizou vídeo com IA exibido pelo PL
Defesa do ex-presidente afirma que imagem foi usada sem autorização durante evento do PL no último sábado

A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro informou ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que ele não autorizou o uso de sua imagem e voz em um vídeo produzido com inteligência artificial e exibido durante a convenção do PL no último sábado (25). A manifestação foi apresentada nesta quarta-feira (29) em resposta a uma determinação do ministro.
No documento enviado ao STF, os advogados afirmam que Bolsonaro sequer teria condições de conceder essa autorização, devido às restrições impostas pela Justiça. A defesa cita a decisão de Moraes que suspendeu temporariamente o direito de visitas ao ex-presidente e proibiu o senador Flávio Bolsonaro de visitá-lo por 90 dias.
Segundo os advogados, essas medidas impediriam qualquer contato entre pai e filho para uma eventual autorização específica relacionada à produção do vídeo exibido no evento político.
A defesa também argumenta que, historicamente, os filhos de Bolsonaro utilizaram imagens, gravações, discursos e manifestações públicas do ex-presidente em atividades político-partidárias, sem que houvesse oposição por parte dele. Para os advogados, essa prática seria consequência da relação de confiança familiar e do caráter público da imagem de Bolsonaro.
A manifestação foi apresentada após Alexandre de Moraes solicitar esclarecimentos sobre o vídeo criado com inteligência artificial e exibido durante a convenção do PL que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República nas eleições deste ano.
O ministro ainda deverá analisar os argumentos apresentados pela defesa e decidir se serão necessárias novas medidas no processo de execução penal que envolve Jair Bolsonaro.
João Pedro Melo é jornalista, formado pelo UniCEUB. Tem mais de dez anos de experiência na cobertura de Congresso Nacional, Palácio do Planalto e Supremo Tribunal Federal. Teve passagens pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação como repórter de política na TV e no rádio.



