Após propor aumento de pena para crimes contra democracia, governo planeja aumentar punição para quem destruir qualquer bem histórico tombado
Na semana passada, o governo apresentou proposta de mudança no Código Penal aumentando pena para crimes contra a democracia, em resposta aos ataques do dia 8 de janeiro

O Governo Federal planeja aumentar a punição para quem atacar ou destruir bens tombados pelo patrimônio histórico. As medidas vão além das anunciadas na semana passada e que preveem alteração no código penal para pessoas que cometerem destruírem símbolos da democracia, como ocorreu nos ataques ao Congresso, ao Palácio do Planalto e ao Supremo Tribunal federal no dia 8 de janeiro. Conheça aqui as mudanças já propostas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo ministro da Justiça, Flávio Dino.
A ideia é ter um código especifico para crimes contra o patrimônio cultural, segundo Leandro Grass, presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. "A legislação brasileira indica, na legislação de crimes ambientais, alguns trechos de crimes contra o patrimônio cultural. Ainda não temos uma legislação específica do patrimônio cultural, mas inclusive esse é um diálogo que nós temos estabelecido com o Congresso Nacional, dado o 8 de janeiro e tantas outras situações que a gente tem Brasil afora, entendemos que é importante ter um arcabouço jurídico, um código específico para crimes contra o patrimônio cultural, porque essa destruição, muitas vezes, sendo irreversível, elimina parte da memória do povo. O ataque do 8 de janeiro não é um ataque às pessoas, às representações políticas das quais aquelas pessoas discordavam, os terroristas, os criminosos discordavam. Aquele ataque é ao próprio Brasil, não só pelo dano material, mas pelo dano simbólico. O que representa a praça dos três poderes? A democracia, as liberdades, essa relação aberta entre sociedade e estado. O equilíbrio, então também tem um prejuízo ao que representa, ao que é simbólico. Então acredito que seja importante a gente evoluir também nessa questão jurídica, coisa que já está na pauta do próprio Congresso Nacional. Então o Brasil pode ter uma lei mais severa que pune com mais rigor quem destruir um patrimônio público tombado. É o que nós defendemos e é o que alguns parlamentares também defendem", afirmou em entrevista ao podcast Abrindo o Jogo.
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As novas ações estão sendo estudadas por parlamentares e pelo governo federal. "Nós estamos começando a fazer algumas conversas no âmbito da Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados. Existem alguns parlamentares que se animam em trabalhar nessa legislação e eu espero que ela possa sim prosperar. A gente tem agora também a constituição da Frente Parlamentar do Patrimônio Cultural com parlamentares superengajados nessa pauta. E eu imagino que dali a gente vai ter uma solução e encaminhamento. Se for necessário um PL do Executivo, certamente também haverá disposição para isso, concluiu o gestor público.
Edilene Lopes é jornalista, repórter e colunista na Itatiaia e analista de política na CNN Brasil. Na rádio, idealizou e conduziu o Podcast "Abrindo o Jogo", que entrevistou os principais nomes da política brasileira. Está entre os jornalistas que mais fizeram entrevistas exclusivas com presidentes da República nos últimos 10 anos, incluindo repetidas vezes Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Messias Bolsonaro. Mestre em ciência política pela UFMG, e diplomada em jornalismo digital pelo Centro Tecnológico de Monterrey (México), está na Itatiaia desde 2006, onde também foi também apresentadora. Como repórter, registra no currículo grandes coberturas nacionais e internacionais, incluindo eventos de política, economia e territórios de guerra. Premiada, em 2016 foi eleita, pelo Troféu Mulher Imprensa, a melhor repórter de rádio do Brasil. Em 2025, venceu o Prêmio Jornalistas Negros +Admirados na categoria Rádio e Texto.
