Após Lula defender criação de Estado Palestino, Janja usa um casaco típico
O presidente disse na Fundação Bill Gates que a mesma ONU que criou o Estado de Israel não teve 'coragem' de criar o Estado Palestino

Nova York * — A primeira-dama, Janja da Silva, usou um casaco palestino durante a abertura do debate da Assembleia Geral da ONU, nesta terça-feira (24), em Nova York.
Lula discursou. Leia os destaques:
Palestina
Na abertura do discurso, Lula fez um aceno à Palestina e saudou a presença de uma delegação do Estado.
“Dirijo-me em particular à delegação palestina que integra pela primeira vez essa sessão de abertura, mesmo que ainda na condição de membro observador”, afirmou o chefe de Estado brasileiro, que logo em seguida fez uma saudação nominal ao presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas.
O presidente também afirmou que as guerras na Ucrânia e no Oriente Médio têm o potencial de “se tornarem um confronto generalizado”.
Em relação ao conflito na Europa, Lula afirmou que “está claro que nenhuma das partes conseguirá atingir todos os seus objetivos pela via militar” e defendeu a criação de condições para um diálogo direto entre a Rússia e a Ucrânia.
Já sobre a guerra em Gaza, o chefe de Estado brasileiro disse que apesar de o conflito ter começado a partir de um ato terrorista contra civis israelenses, se tornou “uma punição coletiva de todo o povo palestino”.
“São mais de 40 mil vítimas fatais, em sua maioria mulheres e crianças. O direito de defesa transformou-se no direito de vingança que impede um acordo para a liberação de reféns e adia o cessar-fogo”, declarou.
Lula classificou as guerras no Sudão e no Iêmen como “conflitos esquecidos” que causam “sofrimento atroz a quase 30 milhões de pessoas”.
Mudanças climáticas
Segundo o presidente, apesar da tentativa de “desglobalização” com o acirramento da polarização política, "é impossível ‘desplanetizar’ nossa vida em comum”. Lula destacou que uma resolução para a crise climática é cada vez mais urgente e criticou o não cumprimento de acordos internacionais para enfrentar o problema.
“O planeta já não espera para cobrar da próxima geração e está farto de acordos climáticos que não são cumpridos. Está cansado de metas de redução de emissão de carbono negligenciadas do auxílio financeiro aos países pobres que nunca chegam”, disse.
De acordo com o chefe do Executivo, “o negacionismo sucumbe ante às evidências do aquecimento”. Como exemplo, ele mencionou as enchentes no Rio Grande do Sul, a seca na Amazônia e os incêndios florestais pelo Brasil.
Lula disse que seu governo “não terceiriza a responsabilidade e nem abdica da sua soberania” nesta área e reafirmou o compromisso de zerar o desmantamento na Amazônia até 2030.
"É hora de enfrentar o debate sobre o ritmo lento da descarbonização do planeta e trabalhar por uma economia menos dependente de combustíveis fósseis”, declarou.
América Latina, Cuba e Haiti
Lula mencionou que a região vive uma “segunda década perdida”, com crescimento médio de 0,9% desde 2014.
“Esta combinação de baixo crescimento e altos níveis de desigualdade resulta em efeitos nefastos sobre a paisagem política. Tragada por disputas muitas vezes alheias à região, nossa vocação de cooperação e entendimento se fragiliza”, disse.
O presidente também classificou como “injustificado” o embargo econômico a Cuba e defendeu a necessidade de “conjugar ações para restaurar a ordem pública e promover o desenvolvimento” do Haiti.
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Guerras
Na sequência, Lula criticou o crescente número de guerras ao redor do mundo e afirmou que os recursos destinados a estes conflitos poderiam ser melhor utilizados para combater outros problemas, como a fome no mundo e a crise climática.
“Testemunhamos a alarmante escalada de disputas geopolíticas e de rivalidades estratégicas. 2023 ostenta o triste recorde do maior número de conflitos desde a Segunda Guerra Mundial. Os gastos militares globais cresceram pelo nono ano consecutivo e atingiram 2 trilhões e 400 bilhões de dólares. Mais de 90 bilhões de dólares foram mobilizados com arsenais nucleares. Estes recursos poderiam ter sido utilizados para combater a fome e enfrentar a mudança do clima. O que se vê é o aumento das capacidades bélicas.”, destacou.
*enviada especial: Edilene Lopes
Edilene Lopes é jornalista, repórter e colunista na Itatiaia e analista de política na CNN Brasil. Na rádio, idealizou e conduziu o Podcast 'Abrindo o Jogo', que entrevistou os principais nomes da política brasileira. Está entre os jornalistas que mais fizeram entrevistas exclusivas com presidentes da República nos últimos 10 anos, incluindo repetidas vezes Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Messias Bolsonaro. Mestre em ciência política pela UFMG, e diplomada em jornalismo digital pelo Centro Tecnológico de Monterrey (México), está na Itatiaia desde 2006, onde também foi também apresentadora. Como repórter, registra no currículo grandes coberturas nacionais e internacionais, incluindo eventos de política, economia e territórios de guerra. Premiada, em 2016 foi eleita, pelo Troféu Mulher Imprensa, a melhor repórter de rádio do Brasil. Em 2025, venceu o Prêmio Jornalistas Negros +Admirados na categoria Rádio e Texto.
Jornalista com trajetória na cobertura dos Três Poderes. Formada pelo Centro Universitário e Instituto de Educação Superior de Brasília (Iesb), atuou como editora de política nos jornais O Tempo e Poder360. Foi finalista do Prêmio CNT de Jornalismo em 2025. Atualmente, é coordenadora de conteúdo na Itatiaia.




