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Ana Elisa defende ofensiva de Lula para conquistar votos da terceira via em Minas

Deputada eleita pelo PT-MG diz que campanha de Lula deve buscar votos da terceira via, reforçar presença nas redes e recuperar apoio em regiões de Minas tradicionalmente ligadas ao partido. Ana Elisa também relata ataques e ameaças e reforço na segurança.

Por, Brasília
Ana Elisa é a deputada federal eleita mais jovem da história de Minas Gerais
Ana Elisa é a deputada federal eleita mais jovem da história de Minas Gerais • Reprodução/Redes sociais

A deputada federal eleita Ana Elisa (PT-MG) defendeu, nesta quinta-feira (8), uma ofensiva da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para conquistar eleitores que votaram em candidatos da chamada terceira via no primeiro turno das eleições. A declaração foi dada a jornalistas no Salão Verde da Câmara dos Deputados, em Brasília.

Segundo Ana Elisa, a equipe de Lula já está orientando aliados sobre a estratégia para o segundo turno. Ela citou o deputado André Janones como um dos responsáveis pela mobilização de apoiadores por meio de um grupo no WhatsApp.

“A gente precisa virar os votos da terceira via”, afirmou. Para a deputada eleita, a campanha deve explicar a esses eleitores o que representaria uma eventual chegada de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência.

Ana Elisa disse ainda que pretende viajar por Minas Gerais para conversar com diferentes regiões do estado e buscar votos para Lula. Segundo ela, o objetivo é recuperar áreas tradicionalmente ligadas ao PT que, no primeiro turno, tiveram um comportamento diferente.

Minas Gerais é considerado estratégico para a disputa presidencial. No primeiro turno, Flávio Bolsonaro terminou à frente de Lula no estado, com 48,24% dos votos contra 43,33% do petista, uma diferença de cerca de 589 mil votos.

Redes sociais

Ana Elisa também defendeu uma mudança na comunicação da campanha de Lula. Na avaliação dela, a esquerda perdeu espaço para a direita nas redes sociais e precisa ampliar a presença do presidente em plataformas digitais.

Ela elogiou os vídeos em formato selfie publicados por Lula e afirmou que o presidente tem facilidade para falar diante das câmeras.

“Lula está só mudando a câmera que ele está falando. Lula tem muita facilidade de falar com a câmera. Agora sai da TV e fala com a do telefone”, disse.

A deputada eleita participou de reuniões com a equipe de comunicação da campanha e afirmou que a intenção é aproximar o presidente da população por meio de conteúdos mais espontâneos e adequados às redes.

A presença digital ganhou espaço na campanha petista depois do primeiro turno. Ana Elisa, André Janones e outros aliados com forte atuação nas redes foram chamados para ajudar a formular estratégias para a segunda etapa da eleição.

Ataques e ameaças

Durante a conversa com jornalistas, Ana Elisa também afirmou estar sofrendo ataques desde o início do segundo turno. Segundo a deputada eleita, ela recebeu mensagens de cunho machista e racista, além de ameaças de estupro e divulgação do endereço residencial.

Ela afirmou que, diante das ameaças, teve a segurança reforçada, com escolta e outras medidas. As ameaças estão sendo investigadas pela Polícia Civil de Minas Gerais.

Ana Elisa defendeu ainda que a campanha de Lula concentre esforços em apresentar aos eleitores informações sobre a trajetória política de Flávio Bolsonaro. Ela afirmou que, na visão dela, a estratégia não deve ser apenas de ataque pessoal, mas de exposição do histórico político do adversário.

A deputada eleita citou temas como as acusações envolvendo milícias, rachadinhas e o Banco Master. Para Ana Elisa, a estratégia pode levar parte do eleitorado a deixar de votar em Flávio, ainda que isso não signifique necessariamente uma transferência automática de votos para Lula.

Ana Elisa foi eleita deputada federal por Minas Gerais aos 21 anos, com 524.219 votos, a segunda maior votação entre os 53 deputados eleitos no estado. Ela também se tornou a deputada federal mais jovem eleita no país.

A atuação dela ganhou espaço na campanha de Lula justamente pela força nas redes. A estratégia petista para o segundo turno passou a incorporar aliados eleitos com grande alcance digital, em uma tentativa de ampliar o diálogo com diferentes segmentos do eleitorado.

Por, Repórter

João Pedro Melo é jornalista, formado pelo UniCEUB. Tem mais de dez anos de experiência na cobertura de Congresso Nacional, Palácio do Planalto e Supremo Tribunal Federal. Teve passagens pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação como repórter de política na TV e no rádio.

 

 

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