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A enxurrada de negativas de deputados para a comitiva de Lula à China

Parlamentares tentam montar super-bloco com Lira e querem apontar independência

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Lira monta, desde o mês passado, um super-bloco com os partidos do Centrão
Lira monta, desde o mês passado, um super-bloco com os partidos do Centrão • Divulgação

O cerimonial do Palácio do Planalto tem registrado uma enxurrada de negativas vindas de parlamentares convidados para acompanhar a comitiva de Lula (PT) à China. A viagem, adiada por conta de um problema de saúde do presidente no mês passado, está marcado há meses, mas deputados federais que articulam o novo blocão de Arthur Lira (PP-AL) na Câmara estão recusando a ida na tentativa de mostrar que a construção do grupo no Congresso não será influenciada pelo governo.

Lira monta, desde o mês passado, um super-bloco com os partidos do Centrão - ao todo, o grupo deve passar dos 200 parlamentares e contar, inclusive, com partidos de esquerda, como PDT e PSB. Atualmente, ele já tem acordo para ficar com PP, União Brasil, PSDB-Cidadania, Patriota e Avante.

A iniciativa foi feita depois que o MDB criou um bloco de base que dividiu o poder de Lira na Câmara, criando um grupo com PSD, Podemos e PSC. O pano de fundo é a batalha na Casa para concentrar um poder de decisão - e ter mais relevância nas negociações com o Executivo.

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Lucas Ragazzi é jornalista investigativo com foco em política. É colunista da Rádio Itatiaia. Integrou o Núcleo de Jornalismo Investigativo da TV Globo e tem passagem pelo jornal O Tempo, onde cobriu o Congresso Nacional e comandou a coluna Minas na Esplanada, direto de Brasília. É autor do livro-reportagem “Brumadinho: a engenharia de um crime”.