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Tratar cachorro 'como gente' faz bem ou faz mal? Saiba por que o tema divide opiniões

Humanização dos cães gera debates entre tutores e veterinários. Entenda quando o carinho melhora a qualidade de vida e quando pode prejudicar a saúde e o comportamento do animal

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Cachorro pode dormir na cama? Usar roupa? Ganhar festa de aniversário? Ser chamado de "filho"? Essas atitudes, cada vez mais comuns entre tutores, alimentam um debate que desperta opiniões fortes nas redes sociais e também entre especialistas.

Pesquisas publicadas por instituições como a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), a Universidade Federal do Paraná (UFPR) e estudos revisados pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) mostram que a resposta não é tão simples quanto parece. Afinal, tratar cachorro como gente faz bem ou faz mal?

A resposta está longe de ser simples. Segundo os pesquisadores, o problema não é amar o animal como um membro da família, mas esquecer que ele continua sendo um cachorro, com necessidades físicas e comportamentais próprias.

O tema é conhecido na ciência como antropomorfismo, que consiste em atribuir características, emoções e necessidades humanas aos animais. Uma revisão publicada na Revista Brasileira de Zoociências, da UFJF, explica que esse comportamento pode fortalecer o vínculo entre pessoas e cães, mas também trazer consequências negativas quando interfere no bem-estar do pet.

Carinho não é o problema

Nas últimas décadas, os cães passaram a ocupar um espaço cada vez maior dentro das famílias. Muitos vivem dentro de casa, acompanham viagens, recebem alimentação de qualidade e têm acesso a atendimento veterinário especializado.

Segundo os cientistas, esse cuidado, por si só, não representa um problema. Pelo contrário, ele pode melhorar significativamente a qualidade de vida dos cães quando respeita suas necessidades naturais.

A polêmica surge quando decisões tomadas pelos tutores são baseadas apenas na forma como uma pessoa gostaria de ser tratada, sem considerar o que realmente faz sentido para um cão.

Quando a humanização pode fazer mal

Os pesquisadores alertam que alguns comportamentos considerados "fofos" pelos donos podem gerar desconforto físico ou emocional para o animal.

Entre os exemplos mais citados estão o uso frequente de roupas sem necessidade, perfumes que alteram a comunicação olfativa dos cães, alimentação inadequada com comidas destinadas aos humanos e a falta de estímulos naturais, como caminhadas, brincadeiras, exploração de cheiros e interação com o ambiente.

A revisão científica da UFJF concluiu que práticas de humanização podem afetar o bem-estar físico, emocional e comportamental quando substituem comportamentos naturais da espécie por hábitos exclusivamente humanos.

Equilíbrio

Ao mesmo tempo, pesquisadores destacam que não existe consenso absoluto sobre todos os efeitos da humanização.

Ainda segundo o estudo publicado na Revista Brasileira de Zoociências. parte da literatura científica identifica riscos relacionados ao antropomorfismo, enquanto outros estudos mostram que uma relação afetiva intensa também pode aumentar os cuidados com saúde, alimentação e acompanhamento veterinário.

Isso significa que práticas como permitir que o cachorro durma na cama ou participe da rotina da família não são necessariamente prejudiciais. O impacto depende do perfil do animal e, principalmente, se suas necessidades comportamentais continuam sendo atendidas.

O que realmente importa no caso dos cães

Os especialistas reforçam que o bem-estar dos cães está ligado a fatores como atividade física adequada, alimentação balanceada, enriquecimento ambiental, socialização, descanso e acompanhamento veterinário.

Em outras palavras, um cachorro não precisa ser tratado como uma pessoa para viver feliz. O mais importante é que seja tratado de acordo com aquilo que sua espécie realmente necessita.

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Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.

 

 

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