Itatiaia

Hospitais de Salvador permitirão que tutores recebam visita de pets

Medida já está em vigor; pets devem estar saudáveis para receber autorização do hospital

Por
Paciente em hospital segura cachorro no colo
Vivian Gobbato Neuls, paciente do Hospital São Lucas, que recebeu visita de seu cachorro • Cris Berger/Guia Pet Friendly

Um projeto que autoriza a entrada de animais de estimação em hospitais públicos e privados de Salvador acaba de se tornar lei na capital baiana. Com autoria da vereadora Marcelle Moraes (União Brasil) e tornado lei pelo prefeito Bruno Reis (União Brasil), a medida publicada na edição do Diário Oficial do Município (DOM) desta quinta-feira (26).

Para acompanhar o tutor nas unidades de saúde, o pet deve cumprir alguns requisitos, como:

  • ter as vacinas em dia, com comprovação do cartão de vacinação atualizado, nos últimos seis meses, higienizado e com laudo veterinário atestando a sua boa condição de saúde;
  • cães e gatos deverão estar em guias presas por coleiras e, se necessário, com focinheira;
  • ter autorização da comissão de infectologia do respectivo hospital;
  • ter autorização do médico responsável pelo paciente.

As visitas devem ser agendadas previamente na administração do hospital, conforme a solicitação do médico e critérios estabelecidos pela instituição hospitalar.

Com a sanção e publicação no DOM, a lei já está em vigor.

 

Impactos na recuperação do tutor

Na justificativa do projeto, Marcelle Moraes argumentou que a medida traz incontáveis benefícios tanto para o animal quanto para o tutor. 

“Nesse viés, o vínculo emocional estabelecido é capaz de proporcionar bem estar e felicidade ao ser humano, viabilizando a melhoria do seu quadro de saúde ou, no mínimo, tornando mais suportável o tratamento médico enquanto está internado no hospital”, disse.

Estudos apontam que a convivência com pets ajuda a reduzir estresse, ansiedade e sensação de isolamento, fatores que interferem no bem-estar durante doenças físicas e mentais.

De acordo com a American Heart Association, a presença de animais está associada à melhora de indicadores como pressão arterial e níveis de estresse. Em comunicado científico, a entidade afirma que “ter um animal de estimação pode estar associado a uma redução do risco cardiovascular e a uma maior sobrevivência entre pacientes”, principalmente quando há vínculo afetivo consolidado.

Esse apoio emocional também é reconhecido em contextos clínicos e terapêuticos. Segundo o Hospital Israelita Albert Einstein, a interação com animais pode contribuir para o enfrentamento de tratamentos prolongados, como os oncológicos.

Em conteúdo institucional, o hospital destaca que “o contato com animais pode promover conforto emocional, reduzir a ansiedade e até melhorar a adesão ao tratamento”, ao criar uma rotina de afeto e responsabilidade que ajuda o paciente a manter o foco na recuperação.

Por

Jessica de Almeida é repórter multimídia e colabora com reportagens para a Itatiaia. Tem experiência em reportagem, checagem de fatos, produção audiovisual e trabalhos publicados em veículos como o jornal O Globo e as rádios alemãs Deutschlandfunk Kultur e SWR. Foi bolsista do International Center for Journalists.