Fóssil raro encontrado no Brasil revela nova espécie de cobra que viveu entre os dinossauros
Descoberta feita por pesquisadores mostra uma das serpentes mais antigas e bem preservadas já encontradas no país e ajuda a entender a evolução desses répteis

Uma descoberta realizada no interior de São Paulo está ampliando o conhecimento científico sobre a origem das serpentes. Pesquisadores identificaram uma nova espécie de cobra pré-histórica a partir de um fóssil excepcionalmente preservado, encontrado no Sítio Paleontológico José Martin Suárez, em Presidente Prudente.
Batizada de Tametara mirim, a espécie viveu entre 85 milhões e 75 milhões de anos, durante o período Cretáceo Superior, quando os dinossauros ainda dominavam a Terra. O estudo mostra que o animal era altamente adaptado à vida subterrânea, revelando que já existia uma grande diversidade de hábitos entre as serpentes primitivas.
O fóssil chamou a atenção dos cientistas por seu excelente estado de conservação. O exemplar preserva parte do crânio e mais de 100 vértebras articuladas, permitindo uma reconstrução detalhada da anatomia da serpente com o auxílio de microtomografia computadorizada. Segundo os pesquisadores, trata-se do primeiro fóssil articulado de serpente encontrado no Brasil e de uma das descobertas mais importantes sobre esses répteis no país.
A professora Annie Hsiou, da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto da USP, destacou a relevância da descoberta. "Trata-se de uma das serpentes mais antigas conhecidas e melhor preservadas, sendo o primeiro fóssil articulado de serpente encontrado no País", afirmou ao site de notícias G1.
A pesquisadora também explicou que o material preservado possibilitou uma análise inédita da anatomia do animal. "O espécime preserva parte do crânio e mais de 100 vértebras articuladas, permitindo uma reconstrução extremamente detalhada de sua anatomia", disse.
Pequena, porém importante
A Tametara mirim tinha cerca de 42 centímetros de comprimento preservado e um crânio estimado em apenas 3,3 centímetros. Apesar do porte reduzido, apresentava características anatômicas consideradas únicas pelos cientistas, como uma crista no topo do crânio e ossos altamente especializados para a escavação do solo.
Outro aspecto importante observado pelos pesquisadores foi a ausência de membros anteriores, indicando que a perda dessas estruturas já havia ocorrido nesse estágio da evolução das serpentes. A região onde estariam os membros posteriores não foi preservada no fóssil, impedindo uma avaliação completa.
Descoberta ajuda a recontar a história da evolução das serpentes
Os pesquisadores acreditam que a nova espécie demonstra que serpentes subterrâneas e espécies que viviam na superfície coexistiam há mais de 75 milhões de anos. Segundo eles, essa diversidade ecológica reforça a ideia de que a evolução das cobras foi mais complexa do que se imaginava.
O estudo foi conduzido por uma equipe internacional de cientistas, com participação de pesquisadores da Universidade de São Paulo, além de especialistas da Finlândia, Austrália, Argentina e Estados Unidos. Os resultados foram publicados na revista científica Nature.
Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.



