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Estas são as raças de cachorro que costumam viver menos anos

Um levantamento de registros veterinários do Reino Unido mostrou que cães de grande porte, especialmente algumas raças gigantes, tendem a ter menor expectativa de vida; genética, doenças, peso e cuidados ao longo dos anos também influenciam a longevidade

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O dogue alemão • Rytis Mikelskas via Wikimedia Commons

A expectativa de vida de um cachorro pode variar bastante de acordo com a raça. Um dos maiores levantamentos sobre longevidade canina já realizados no Reino Unido identificou diferenças importantes entre os animais e apontou uma relação entre o tamanho do corpo e o tempo de vida.

De modo geral, os cães de porte gigante estão entre os que vivem menos anos. Pastor caucasiano, dogue de Bordeaux, dogue alemão, wolfhound irlandês e bernese são alguns dos exemplos que aparecem com menor expectativa de vida no levantamento.

Entre as raças analisadas, o pastor caucasiano apresenta uma estimativa de aproximadamente 5,4 anos. O dogue de Bordeaux costuma viver entre 6 e 8 anos, enquanto o dogue alemão e o bernese ficam em torno de 7 a 8 anos. O wolfhound irlandês também apresenta expectativa geralmente entre 6 e 8 anos.

Outras raças aparecem próximas dessa faixa. O dobermann tem estimativa de aproximadamente 7,7 anos, assim como o presa canário. Já o cane corso apresenta expectativa próxima de 8,1 anos. Rottweilers e boxers também costumam ficar abaixo da média geral dos cães de raça.

Por que cães grandes podem viver menos?

Segundo o levantamento, cães de grande porte têm maior probabilidade de morrer mais cedo do que os animais menores. O crescimento acelerado e o tamanho corporal elevado podem aumentar a sobrecarga sobre ossos, articulações, coração e outros órgãos.

Outro fator importante é a predisposição genética para determinadas doenças. Berneses, rottweilers, boxers e wolfhounds irlandeses, por exemplo, apresentam maior risco para diferentes tipos de câncer. No caso do bernese, o sarcoma histiocítico é apontado como uma preocupação conhecida.

Doenças cardíacas também podem afetar algumas dessas raças. Dogues alemães, dobermanns e boxers estão entre os cães que apresentam maior risco de cardiomiopatia dilatada e outras alterações no coração.

Cães grandes e de peito profundo ainda possuem maior risco de sofrer uma torção gástrica, uma emergência que pode ocorrer quando o estômago se enche de gás e gira. Dogues alemães, wolfhounds irlandeses, são-bernardos e setters irlandeses estão entre os animais mais suscetíveis.

Problemas ortopédicos também são comuns. Displasia de quadril ou cotovelo, artrite, lesões de ligamentos e dores crônicas podem atingir com maior frequência os cães mais pesados, especialmente quando existe excesso de peso.

Raças de focinho curto também exigem atenção

O tamanho não é o único fator relacionado à longevidade. Algumas raças de focinho achatado, conhecidas como braquicefálicas, também podem apresentar expectativa de vida menor e maior predisposição a problemas de saúde.

O bulldog francês, por exemplo, apresentou expectativa de vida de 4,53 anos ao nascer em uma base de dados veterinária britânica. O número representa uma estimativa populacional e não significa que todos os cães da raça morrerão nessa idade.

Bulldogs franceses e ingleses podem apresentar problemas respiratórios, de pele, coluna e olhos. A seleção genética para características físicas muito acentuadas, como o focinho extremamente curto, pode dificultar a respiração e diminuir a tolerância ao calor e ao exercício.

Cuidados podem ajudar a aumentar a longevidade

Embora a raça tenha influência sobre a expectativa de vida, ela não determina sozinha quantos anos um cachorro viverá. Manter o animal no peso adequado é uma das medidas mais importantes para reduzir problemas articulares, cardíacos e metabólicos.

A alimentação também deve ser adequada à idade, ao tamanho e ao nível de atividade do cão. Para filhotes de raças gigantes, por exemplo, o levantamento recomenda atenção especial ao alimento utilizado durante a fase de crescimento.

A prática regular de exercícios também ajuda a preservar a musculatura e a mobilidade. Para cães gigantes ainda em desenvolvimento, porém, atividades de alto impacto, saltos excessivos e exercícios repetitivos devem ser evitados.

O acompanhamento veterinário é outro ponto importante. Consultas preventivas permitem identificar alterações cardíacas, dores articulares, massas, perda de peso e outras mudanças antes que o problema se agrave.

Em algumas raças, exames específicos podem ser recomendados. Cães como dobermanns, boxers e dogues alemães, por exemplo, podem se beneficiar de avaliações cardíacas preventivas, conforme a orientação do veterinário.

Também é importante adotar cuidados para reduzir o risco de torção gástrica, principalmente em cães grandes e de peito profundo. Dividir a alimentação em duas ou mais refeições e evitar exercícios intensos imediatamente antes ou depois de comer são algumas das medidas citadas.

No caso de cães braquicefálicos, é fundamental evitar calor excessivo e esforço intenso. Respiração muito ofegante, língua arroxeada, fraqueza ou desmaio são sinais que exigem atendimento veterinário imediato.

Além disso, uma mudança repentina no comportamento ou na disposição, perda de peso, tosse, desmaios, barriga distendida, dificuldade para respirar ou incapacidade de se levantar também são sinais que não devem ser ignorados.

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Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.

 

 

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