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Dia do Circo reforça o debate sobre o desuso de animais em espetáculos

A presença de animais em espetáculos já é vetada em diversos estados brasileiros

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Elefnte formado de luzes em circo que não usa animais nas apresentações
Organizações de proteção animal também destacam que, diferentemente de artistas humanos, os animais não têm escolha sobre participar • Reprodução Youtube

Tradicionalmente associados ao entretenimento, os animais em circos vêm perdendo espaço no Brasil e no mundo, impulsionados por debates sobre maus-tratos e mudanças na legislação e na percepção do público. No Dia do Circo, celebrado hoje (27), o tema volta ao centro do debate.

Embora não exista uma proibição federal definitiva, o uso de animais em espetáculos já é vetado em diversos estados brasileiros e segue em debate no Congresso Nacional. Na Câmara dos Deputados, há projetos em tramitação que propõem desde a proibição total até a regulamentação da atividade com regras mais rígidas.

‘Tradição’ e bem-estar animal

Especialistas apontam que a principal preocupação está nas condições em que esses animais vivem e são treinados. Muitos deles são mantidos em cativeiro e submetidos a rotinas que não respeitam suas necessidades naturais.

Em análise sobre o tema, a coordenadora de direitos animais Mara Moscoso afirma que o uso em espetáculos compromete o bem-estar: “Os animais são utilizados exclusivamente para entretenimento, ferindo as cinco liberdades”, explicou.

Organizações de proteção animal também destacam que, diferentemente de artistas humanos, os animais não têm escolha sobre participar das apresentações. “Eles são mantidos em cativeiro e forçados a fazer parte do show”, aponta a Sociedade Amigos dos Animais em publicação sobre o tema.

Mudança cultural

A presença de animais em circos tem diminuído nos últimos anos, acompanhando uma mudança no comportamento do público e o avanço de legislações locais. Países e estados brasileiros vêm restringindo ou proibindo esse tipo de prática.

De acordo com o Zoológico de Brasília, o cenário reflete uma transformação mais ampla na forma como a sociedade enxerga o papel dos animais no entretenimento.

“O uso de animais selvagens em apresentações tem se tornado cada vez mais incomum”, informa o órgão em material educativo.

Nesse contexto, circos contemporâneos têm investido em apresentações sem animais, focadas em acrobacias, teatro e tecnologia. A tendência acompanha a pressão de organizações e da própria sociedade por práticas mais éticas.

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Jessica de Almeida é repórter multimídia e colabora com reportagens para a Itatiaia. Tem experiência em reportagem, checagem de fatos, produção audiovisual e trabalhos publicados em veículos como o jornal O Globo e as rádios alemãs Deutschlandfunk Kultur e SWR. Foi bolsista do International Center for Journalists.