Teatro a Bordo chega a Ouro Preto com caminhão-palco movido a energia solar
Iniciativa leva espetáculos teatrais, oficinas e cinema gratuito para escolas e espaços públicos

O subdistrito de Maracujá, em Ouro Preto, recebe entre os dias 28 e 30 de maio o projeto Teatro a Bordo, iniciativa cultural itinerante que transforma um caminhão movido a energia solar em palco para apresentações gratuitas de teatro, música e cinema. Pela primeira vez na região, o projeto também vai promover oficinas e cortejos artísticos em escolas e espaços públicos da comunidade.
A programação começa nos dias 28 e 29 de maio com atividades em escolas da região. Serão contempladas com o projeto a Escola Municipal de Acuruí, além das Escolas Municipais Padre Antônio Pedrosa e Ana Pereira de Lima, nos distritos de Coelhos e Maracujá. Estão previstas apresentações do espetáculo “Sessão Solene – A Princesa e o Gigante”, oficinas de reciclagem para criação de bonecos e cortejos de Chegança, que também vão percorrer ruas e praças do distrito.
No sábado, dia 30, as atividades serão concentradas na Praça do Maracujá, a partir das 16h, com apresentações teatrais, participação de artistas locais, intervenção artística sobre reciclagem e exibição de curtas-metragens. O encerramento será com o espetáculo “Caixola de Histórias”. A programação é gratuita e contará com tradução em Libras na apresentação noturna.
O Teatro a Bordo já percorreu cerca de 600 cidades brasileiras e foi visto por mais de 700 mil pessoas. O projeto conta com patrocínio da Mineração Alto Palmital (MINAP), por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, além do apoio da Prefeitura de Ouro Preto.
Em entrevista exclusiva à reportagem da Itatiaia Ouro Preto, o coordenador geral e produtor do Grupo Teatro a Bordo, Douglas Zanovelli, explicou que a escolha do distrito do Maracujá levou em consideração a proposta de descentralizar o acesso à cultura. Além disso, o contato das crianças com as atividades culturais costuma ser um dos principais impactos observados pelo grupo durante as viagens pelo país.
"O projeto tem essa característica de descentralizar o acesso. Em Ouro Preto, a gente vai ter o prazer de ir para o distrito do Maracujá que é um local que não costuma ter tantas atividades assim. A escolha desse local foi bem específica para contemplar esse público, que a gente sabe que é muito caloroso. Muitas vezes também as crianças e jovens têm contato com o teatro pela primeira vez; e é muito interessante, porque desperta nas criançasessa vontade de fazer arte de alguma forma”, afirmou.
O coordenador também explicou como o caminhão-palco funciona na prática e destacou que o projeto busca levar uma estrutura semelhante à de um teatro convencional para espaços públicos.
“O Teatro a Bordo, que é o primeiro teatro móvel solar do Brasil, desde 2015 tem o sistema off-grid de energia solar instalado no container. A gente tem uma autonomia de aproximadamente 3 a 4 horas de uso dos equipamentos que a gente tem, tanto de som como de luz. E a gente leva, além dos espetáculos teatrais, também toda uma estrutura. Então tem som, tem luz, tem os banquinhos. É uma experiência mesmo como se a pessoa estivesse chegando numa sala de teatro, porém ela está lá no meio da praça, na rua. Sair dos espaços convencionais de cultura é sempre muito bacana para descentralizar mesmo o acesso e pulverizar na cidade essas ações culturais”, explicou à Itatiaia Ouro Preto
Ao falar sobre as passagens pelo estado mineiro, Douglas relembrou uma das experiências que mais marcaram a equipe e os fizeram reafirmar o compromisso do Teatro a Bordo
“Uma história muito marcante de um menino que encontramos em Minas mesmo, e ele era um poeta, fazia poesia ali na hora. Ele encontrou com a gente, e nós, na mesma hora, claro, ficamos ouvindo ali as histórias que ele tinha para contar. No outro dia que a gente teria apresentação, ele pediu para se apresentar, e se apresentou, levou uma gaita. Isso ficou muito marcado para nós porque ele depois falou que queria muito ser artista, então a gente já percebeu ali que tinha um talento. Eu acho que o que é mais importante é isso, dar visibilidade aos talentos”, contou
Além de Ouro Preto, o projeto não tem outras apresentações confirmadas em Minas Gerais neste primeiro semestre. Douglas Zanovelli, no entanto, afirmou que existe a possibilidade de novas passagens pelo estado ainda neste ano e reforçou o trabalho do grupo.
"Bom, por enquanto, a nossa circulação por Minas Gerais, vai passar apenas por Ouro Preto, lá no Distrito de Maracujá, mas, no segundo semestre, pode ser que a gente retorne ao Estado de Minas, Então, quem quiser, acompanhe a nossa agenda, e nossas redes sociais”, finalizou.
Sabrine Varjão é graduanda em Jornalismo pela Universidade Federal de Ouro Preto. Natural de São Paulo (SP), se apaixonou pela comunicação na Região dos Inconfidentes. Suas principais áreas de interesse são política, cultura e esportes.

