Perícia confirma autoria de anotações atribuídas a Tiradentes em livro histórico
Documento do acervo do Museu da Inconfidência passa a ser considerado evidência direta da atuação intelectual do inconfidente

Um laudo da Polícia Federal confirmou que anotações manuscritas encontradas em um livro do acervo do Museu da Inconfidência, em Ouro Preto, foram feitas por Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes. A perícia foi realizada pelo Instituto Nacional de Criminalística, que analisou o material conhecido como “Livro de Tiradentes”.
O exemplar integra o Arquivo Histórico do museu e foi publicado em 1778, na cidade de Paris. A obra reúne textos relacionados à formação dos Estados Unidos, incluindo a Declaração de Independência e outros documentos políticos do período. O conteúdo circulou entre participantes da Inconfidência Mineira e foi utilizado em discussões sobre modelos de governo.
Segundo registros históricos, o livro esteve em posse de Tiradentes antes da prisão dele, ocorrida em 1789, no Rio de Janeiro. Após a detenção, o material foi apreendido por autoridades coloniais. O exemplar permaneceu por mais de um século sob guarda da Biblioteca Pública de Santa Catarina e retornou a Ouro Preto em 1984, quando passou a integrar o acervo do Museu da Inconfidência.
A análise pericial considerou características da escrita e outros elementos técnicos para atestar a autoria das anotações. Com a conclusão do laudo, o documento passa a ser reconhecido como registro direto da participação de Tiradentes em debates relacionados a ideias políticas da época.
O material contém anotações associadas a temas presentes nos textos do livro, que tratam de organização política, independência e estrutura de governo. A confirmação da autoria reforça a relação entre o conteúdo da obra e os debates travados no contexto da Inconfidência Mineira.
De acordo com o Museu da Inconfidência, o resultado da perícia deve orientar novas pesquisas sobre o acervo e ampliar o acesso às informações relacionadas ao documento. A instituição também indica que o material poderá ser utilizado em estudos voltados à compreensão do período histórico e das discussões que envolveram os participantes do movimento.
O livro permanece sob guarda do museu, que mantém o acervo disponível para consulta e pesquisa, conforme normas da instituição.
Matheus Renovato, natural de Belo Horizonte, é repórter multimídia da Itatiaia Ouro Preto, onde está desde 2023. Graduado em Jornalismo pela Universidade Federal de Ouro Preto, possui experiência prévia na Rádio UFOP. Seu interesse profissional concentra-se especialmente nas áreas de jornalismo político, cultural e esportivo.


