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Ópera “As Possíveis Coisas Entre os Impossíveis Seres” acontece hoje em Ouro Preto

Espetáculo gratuito mistura música e teatro para abordar temas como tempo, escolhas, verdade e amor; senhas serão distribuídas a partir das 18h30

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A ópera de câmara As Possíveis Coisas Entre os Impossíveis Seres será apresentada nesta terça-feira (6), às 19h30, na Casa da Ópera – Teatro Municipal de Ouro Preto. A entrada é gratuita e não exige inscrição. As senhas começam a ser distribuídas às 18h30.

A obra tem música, libreto e regência do professor André Codeço, do Departamento de Música da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP). A apresentação será feita pelo Grupo de Câmara da Universidade, formado por estudantes do curso de Licenciatura em Música.

À Itatiaia, André explicou que a ópera de câmara possui uma estrutura menor do que uma montagem tradicional. Nesta apresentação, o grupo conta com cerca de dez a 12 instrumentistas e cinco cantores. A duração prevista é de aproximadamente 75 a 80 minutos.

Uma viagem entre dois mundos

A história acompanha Eudora, uma artista que vive no chamado Possível Regrado, representação da realidade conhecida. Depois de enfrentar situações traumáticas, ela é levada ao Impossível Extraordinário, onde encontra seres que se relacionam de maneiras diferentes com o tempo, o amor, a verdade e as escolhas.

André contou que a ideia da obra surgiu de reflexões sobre a condição humana. Antes de criar o libreto e compor as músicas, ele escreveu um ensaio sobre esses temas.

“Como lidamos com o tempo, um tempo que não consegue retroceder, nem mesmo avançar, apenas avançar no seu próprio tempo? Como o ser humano lida com as escolhas, se toda escolha é um processo de todas as outras desescolhas? Como lidamos também com o amor e como lidamos com a verdade? A partir dessa inquietação filosófica, escrevi um ensaio que, no futuro, pretendo transformar em livro. A partir daí, criei o libreto, a história e depois compus as obras”, explicou.

A montagem combina canto, narração, diálogos falados e atuação. Durante a jornada, os encontros de Eudora com os seres impossíveis apresentam ao público diferentes maneiras de pensar as questões abordadas pela obra.

Estudantes trabalharam durante dois semestres

A preparação envolveu dois semestres de trabalho com os estudantes da UFOP. Entre os desafios estavam a linguagem musical baseada em composições do século 20, a interpretação dos personagens e o equilíbrio entre as vozes e os instrumentos.

Um dos seres possui seis olhos, cada um com um infinito dentro. Outro vive fora do tempo e tem as pernas ligadas à cadeira onde permanece sentado. Segundo André, dar vida a esses personagens foi um dos desafios enfrentados pelos cantores.

O professor também destacou a importância da experiência para a formação dos estudantes.

“Estamos em um curso de Licenciatura em Música na Universidade Federal de Ouro Preto, a UFOP. Talvez a primeira coisa em que a gente pense, ao falar de um curso de Licenciatura em Música, seja a dimensão da docência, do ensino. É certo, claro: estamos formando professores e precisamos pensar nessa prática da docência. Mas são professores de música; portanto, a dimensão artística jamais pode ser esquecida”, afirmou.

Para André, o trabalho realizado no espetáculo permite que os estudantes desenvolvam uma parte essencial da própria formação profissional.

“É nesse sentido que penso que essa experiência é tão importante e tão gratificante para os alunos, porque ela toca, tangencia de maneira profunda essa formação artística do aluno, que também será professor, mas, acima de tudo, será músico, será artista”, completou.

Uma porta de entrada para a ópera

O professor avalia que o formato reduzido pode aproximar o gênero de pessoas que nunca assistiram a uma ópera.

“Penso que uma experiência como essa pode contribuir muito para aproximar as pessoas do espetáculo da ópera em si. Digo isso porque, geralmente, uma ópera tem entre duas, duas horas e meia, até três horas e meia de duração, com um ou dois intervalos. Esse formato que estamos propondo, a ópera de câmara, pode servir como uma entrada para esse tipo de música”, explicou.

Além da duração menor, André acredita que os assuntos apresentados podem criar uma ligação entre a obra e o cotidiano do público.

“Acredito também que essa experiência, esse concerto de hoje, pode aproximar os nossos ouvintes da ópera, porque são questões ligadas ao nosso cotidiano. Como lidamos com o tempo? Como lidamos com as escolhas e as desescolhas? Como pensar sobre isso, como refletir sobre isso, ou sobre a verdade e o amor? Pelo fato de essa ópera de câmara ser um convite filosófico, creio que ela cumpre também um papel de aproximar o nosso ouvinte desse mundo tão belo que é o mundo da ópera”, declarou.

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Mychelle atua como Estagiária de Jornalismo na Rádio Itatiaia Ouro Preto. Paulistana e aluna da Universidade Federal de Ouro Preto, já atuou em portais como Rádio Plural, Perifacon, Estante Diagonal e possui técnico em Publicidade e Propaganda.

 

 

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