Mostra gratuita de cinema começa nesta segunda (21) em Mariana e segue até sábado
Mostra Cinemas entre Fronteiras começa nesta segunda-feira (21) e segue até sábado (26), com programação gratuita de cinema latino-americano, oficinas, exibições e debates em Mariana, Ouro Preto e João Monlevade

A Mostra Cinemas entre Fronteiras começa nesta segunda-feira (21) com atividades gratuitas em Mariana. A programação segue até sábado (26) e também terá exibições, oficinas, palestras, intervenções e rodas de conversa em Ouro Preto e João Monlevade.
A primeira atividade será a oficina “Cinema documental para adiar o fim do mundo”, das 9h às 12h, no Instituto de Ciências Sociais Aplicadas da Universidade Federal de Ouro Preto (Icsa/UFOP), em Mariana. A oficina está articulada à programação do Festival de Inverno Universitário da UFOP.
A mostra é promovida pelo coletivo Audiovisual UFOP – WebCINETV UFOP, em parceria com a Associação dos Docentes da UFOP (Adufop) e o Observatório Latino-Americano de Cine entre Fronteiras, da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila). A coordenação é dos professores Adriano Medeiros da Rocha e Kathiuça Bertollo.
Segundo Adriano, a seleção dos filmes e das atividades considerou a diversidade presente na produção audiovisual contemporânea, principalmente na América Latina.
“Conceitualmente, a Mostra Cinemas entre Fronteiras nasceu exatamente da tentativa de buscar um olhar muito cuidadoso e sensível para essa pluralidade que temos na cinematografia contemporânea, especialmente latino-americana. Então, a proposta é entender essa diversidade, essa pluralidade, e como nos tocamos territorialmente em outras cinematografias”, explicou.
A programação contempla produções do Brasil, da Argentina, do Uruguai, do Paraguai e de outros países latino-americanos. O conceito de fronteiras também será discutido para além das divisões territoriais, considerando barreiras psicológicas e as relações entre centro e periferia.
“A gente vai pensar também, dentro do conceito da mostra, conceitos como território, comunidade e articulação. Isso tudo nos levou a uma curadoria não só de filmes, mas da programação como um todo, que envolve oficinas, palestras, debates e rodas de conversa, no sentido de agregar diversos pesquisadores e pesquisadoras da área, como também amantes da sétima arte”, afirmou Adriano.
Cinema independente
A mostra também pretende discutir as dificuldades enfrentadas pelos produtores independentes para distribuir os filmes e alcançar o público. Para Adriano, apesar do surgimento de novas formas de exibição, as grandes produções ainda ocupam a maior parte dos espaços.
“Nós evoluímos em uma perspectiva de termos diversas janelas de exibição, não só as salas de cinema. Porém, ainda assim, existe uma indústria muito voltada às grandes produções, especialmente às produções estadunidenses. Gradualmente, nós viemos tentando quebrar um pouco essa hegemonia de um cinema norte-americano e de um cinema europeu, para trazer outras referências, especialmente referências nossas, latino-americanas, que dialogam mais representativamente com o nosso cotidiano”, declarou.
Segundo o professor, outra dificuldade aparece depois que a obra é finalizada. Embora parte dos editais esteja voltada à produção, os realizadores também precisam de recursos para divulgar e distribuir os filmes.
“Depois que um autor ou uma autora cria e faz um filme, precisa difundi-lo. A gente sabe que a difusão envolve todo um processo de comunicação, envolve todo um modelo de distribuição que é caro e que, às vezes, pode se tornar muito inviável para boa parte dos produtores e produtoras que estão iniciando nessa carreira”, explicou.
Programação
A abertura oficial será realizada na terça-feira (22), às 19h, no Cine Teatro Mariana. Na sequência, haverá uma palestra sobre os cinemas articulados entre as fronteiras da América do Sul, o lançamento de um livro e a exibição do filme La Vuyera.
Nos dias seguintes, serão apresentados filmes como Pasajeras, Kopenawa: Sonhar a Terra-Floresta, Entre Nós, Mitã Churi, O Afeto é Ancestral, Sonhos de Glaura, Neike Chamigo e Transcurso – Vivências Trans. Também estão previstas atividades sobre acessibilidade, inclusão, mineração, patrimônio, educação e produção audiovisual.
A mostra integra as ações do Movimento UFOP é Cinema, que busca a criação de um bacharelado em Cinema e Audiovisual na Universidade. Na sexta-feira (25), às 18h, uma roda de conversa em Ouro Preto discutirá os preparativos para o futuro curso.
Informações sobre inscrições para as oficinas e acesso às atividades híbridas estão disponíveis nos canais da Adufop e no perfil @ufopecinema, no Instagram.
Mychelle atua como Estagiária de Jornalismo na Rádio Itatiaia Ouro Preto. Paulistana e aluna da Universidade Federal de Ouro Preto, já atuou em portais como Rádio Plural, Perifacon, Estante Diagonal e possui técnico em Publicidade e Propaganda.



