Escritor Marcelino Xibil orienta famílias sobre como incentivar a leitura desde a infância
Em entrevista à Itatiaia, escritor explicou que livros, brincadeiras e histórias locais podem aproximar as crianças da leitura antes mesmo da alfabetização

A leitura pode fazer parte da rotina infantil antes mesmo de a criança aprender a reconhecer palavras. Em entrevista à Itatiaia, o escritor e contador de histórias Marcelino Xibil explicou que o incentivo deve começar pelo contato livre com os livros, sem cobranças ou atividades obrigatórias.
Livros de plástico, publicações com texturas e obras ilustradas são algumas opções para os primeiros anos. Nessa fase, a criança pode tocar, folhear e observar as páginas. O objetivo não é ensinar formalmente a ler, mas criar familiaridade com o objeto e tornar esse contato agradável.
A participação dos adultos também é importante. Pais e responsáveis podem reservar alguns minutos do dia para contar histórias, mudar a voz dos personagens e conversar sobre as imagens. O momento deve ser entendido como uma brincadeira compartilhada.
“Quanto mais lúdico for, quanto mais for uma brincadeira — e isso para você também, porque você precisa se divertir —, mais você chama a atenção da criança e desperta nela o interesse pela leitura, pelos livros e pelos mundos imaginários”, afirmou Marcelino.
Não existe apenas uma forma de interpretar
A criança não precisa compreender a história exatamente como ela foi escrita. Perguntar o que ela percebeu, permitir que invente personagens e aceitar interpretações diferentes também ajudam no desenvolvimento da imaginação.
Marcelino contou que percebeu isso dentro de casa. O filho Pedro, inspiração para o personagem do livro O Abraço, preferia criar a própria narrativa em vez de apenas escutar a leitura feita pelo pai.
“Mesmo antes de aprender a ler, ele já folheava o livro e contava a história dele. A gente precisa aprender a ouvir as crianças e a dialogar com elas”, relatou.
Nesse processo, o adulto pode fazer perguntas simples, como “O que você acha que vai acontecer?”, “Quem é esse personagem?” ou “Como você terminaria essa história?”. Não é necessário corrigir todas as respostas, porque a atividade também busca estimular a criatividade e a expressão oral.
Histórias da região podem despertar curiosidade
Narrativas próximas da realidade infantil também facilitam o interesse. Em Ouro Preto, famílias podem apresentar causos, lendas, personagens históricos e acontecimentos relacionados aos lugares pelos quais as crianças passam diariamente.
Segundo Marcelino, a cidade permite que a história seja encontrada durante um passeio por uma rua, igreja ou praça. Esse contato ajuda a criança a reconhecer o próprio território e a compreender que os livros também podem falar sobre pessoas e espaços conhecidos.
“Às vezes, você está caminhando com a criança e ela tropeça em uma história. Ouro Preto é um terreno fértil para isso, com muitas histórias, desde as lendas e o folclore até as histórias da própria cidade”, disse.
Orientações para as famílias
- Para aproximar as crianças da leitura, pais e responsáveis podem:
- Deixar os livros ao alcance delas;
- Escolher obras adequadas à faixa etária;
- Criar um horário curto de leitura em família;
- Interpretar personagens e tornar o momento divertido;
- Conversar sobre as imagens e os acontecimentos;
- Permitir que a criança invente outras versões;
- Contar causos e histórias da família e da comunidade;
- Evitar usar a leitura como castigo ou cobrança.
Mais importante do que a quantidade de páginas é a regularidade e a qualidade desse momento. Quando o livro está associado à convivência, à brincadeira e à liberdade para imaginar, a criança pode desenvolver uma relação mais próxima e afetiva com a leitura.
Mychelle atua como Estagiária de Jornalismo na Rádio Itatiaia Ouro Preto. Paulistana e aluna da Universidade Federal de Ouro Preto, já atuou em portais como Rádio Plural, Perifacon, Estante Diagonal e possui técnico em Publicidade e Propaganda.



