Governador de Minas e prefeito-eleito de Mariana discutem repactuação do desastre de Fundão
Romeu Zema critica Fundação Renova e Juliano Duarte cobra isenção de pedágio para população de Mariana durante coletiva de imprensa

Na manhã desta segunda-feira (25), o processo de repactuação referente ao desastre na barragem de Fundão, que resultou na morte de 19 pessoas no distrito de Bento Rodrigues, em Mariana, ganhou um novo capítulo. Em coletiva de imprensa, o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, e o prefeito eleito de Mariana, Juliano Duarte, abordaram pontos importantes relacionados ao tema, com foco na duplicação da BR-356.
Zema criticou duramente a Fundação Renova, destacando a urgência de reformular o projeto e acelerar as obras, especialmente em Mariana. O governador usou o caso de Brumadinho como referência e enfatizou o atraso significativo e a falta de compromisso da Renova, apontando o descaso com a execução das obras na cidade.
“Nós temos de acabar com essa Fundação Renova, que já consumiu rios de dinheiro, 35 bilhões de reais, e quase nada trouxe de desenvolvimento para a região. Então, a nossa luta nesses últimos anos foi exatamente nesse sentido. Era para ter sido muito mais rápido, mas um acordo complexo, que envolveu o Estado do Espírito Santo e uma quantidade muito maior de cidades, e o maior agente para tornar a situação complicada foi o Governo Federal, a União.”
Já o prefeito eleito da primaz de Minas, Juliano Duarte, ressaltou a importância de que a população de Mariana não seja onerada com pedágios na BR-356, considerando que os benefícios da repactuação devem ser direcionados à comunidade. Ele fez um apelo diretamente ao secretário de Infraestrutura e Mobilidade, Pedro Bruno, e ao governador Zema para garantir que esse ponto fosse atendido.
“Essa coletiva do governador foi importante para mostrar os investimentos que serão feitos na cidade de Mariana. A duplicação é um anseio de toda a nossa região e da nossa cidade, já que a nossa BR-356 está saturada de carretas, o que representa um risco para quem vai a Belo Horizonte todos os dias, devido a acidentes, lentidão e à questão da mobilidade urbana.”
Juliano completou falando sobre a forma de como esse pagamento será feito:
“Um ponto que sempre coloco como prefeito eleito, e agora falo especificamente para a cidade de Mariana, é o tempo que o município de Mariana vai receber os valores destinados especificamente para a cidade, que é em 20 anos, em 20 parcelas. Então, é uma cobrança que, junto com o Celso, o atual prefeito, vamos fazer. Na próxima semana, a gente vai se reunir com a Vale, com a BHP e com a Samarco, para que possamos mudar esse cronograma de 20 anos, porque é um prejuízo, uma lentidão, e entendemos que, além de ser lento, também ocorrerá uma desvalorização do dinheiro ao longo dos 20 anos.”
Além disso, durante a coletiva, Zema afirmou que todos os projetos estão sendo discutidos com a população atingida. Contudo, em entrevista à Itatiaia, Mônica Santos, afetada pelo desastre-crime da barragem de Fundão, relatou que não têm sido ouvida durante o processo de repactuação.
“Mais uma vez, as comunidades atingidas, os atingidos sofrem mais um golpe, porque fizeram essa repactuação sem a nossa participação. E hoje, na cidade do epicentro do crime, o governador vem falar sobre o que vai ser feito com o dinheiro da repactuação, e mais uma vez fomos impedidos de ouvir o que ele tinha para dizer. Então, assim, é lamentável o que aconteceu aqui hoje, porque, se um evento era para a população de Mariana, para as comunidades atingidas, a gente não pode entrar.”
Afirmou Mônica Santos, moradora de Bento e líder do movimento dos atingidos.
Felipe Hanson, natural de São José dos Campos e se aventurando como estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Ouro Preto, no momento, Estagiário na Itatiaia Ouro Preto.



