Encerramento das 'bets' expõe desafio da ludopatia no SUS
O fim das plataformas autorizadas não elimina os danos provocados pelo comportamento compulsivo. Dados do Ministério da Saúde apontam que os atendimentos no SUS para jogo patológico cresceram 140% entre 2018 e 2025

A proibição da oferta e da publicidade das apostas eletrônicas no Brasil, determinada pela Medida Provisória nº 1.394, retirou os sites de apostas do ar no início de outubro. Contudo, o fim das plataformas autorizadas não elimina os danos provocados pelo comportamento compulsivo. Dados do Ministério da Saúde apontam que os atendimentos no SUS para jogo patológico cresceram 140% entre 2018 e 2025.
Cerca de 1,4 milhão de pessoas cumprem critérios clínicos para a ludopatia. Para ampliar o combate ao transtorno, o SUS expandiu o teleatendimento com psicólogos e psiquiatras e disponibilizou no aplicativo Meu SUS Digital um autoteste do jogo, que oferece acolhimento a apostadores e familiares. As medidas somam-se à Plataforma de Autoexclusão para bloqueio voluntário do CPF e à criação do Observatório Saúde Brasil para monitorar comportamentos de risco. Além disso, avançam no Congresso propostas para proibir caça-níqueis digitais e vetar apostas por beneficiários de programas sociais.
A ludopatia evolui em três fases — da ilusão de ganho por habilidade às perdas recorrentes, até o esgotamento emocional e financeiro. No SUS, mulheres responderam por 43% dos atendimentos em 2024, usando o jogo como regulação emocional. Entre jovens, levantamentos apontam que 20,4% dos estudantes já apostaram online, com início a partir dos 11 anos.
Com comorbidade em até 75% dos casos (como ansiedade e depressão), o tratamento é garantido pela Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), em Unidades Básicas de Saúde (UBS) e Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). Especialistas alertam que o fim dos sites legais exige reforçar a capacitação profissional, a prevenção e a continuidade do cuidado integral.
Bruna Truocchio é repórter da Rádio Itatiaia Ouro Preto e apresentadora do jornal local. Formada em Jornalismo pela Universidade Estácio de Sá, tem pós-graduações em Filosofia e Marketing Digital.



