Dia do Trabalhador reacende debate sobre jornada e escala 6x1 no Brasil
Propostas no Congresso e ato em Ouro Preto reforçam o caráter histórico de luta do 1º de maio

O Dia do Trabalhador, celebrado em 1º de maio, tem origem em um dos episódios mais marcantes da história da luta operária. A data remete a 1886, quando trabalhadores de Chicago, nos Estados Unidos, organizaram uma greve geral em defesa da redução da jornada de trabalho, que chegava a até 14 horas diárias. A mobilização foi reprimida com violência, deixando mortos, feridos e presos.
Três anos depois, em 1889, a Segunda Internacional, que reunia partidos e movimentos operários, instituiu o 1º de maio como um dia de mobilização global pela jornada de oito horas. Já em 1890, protestos em diversos países reuniram milhões de trabalhadores e consolidaram a data como símbolo de luta por direitos.
No Brasil, o 1º de maio foi oficializado como feriado em 1924, durante o governo de Arthur Bernardes. A data ganhou ainda mais visibilidade ao longo da Era Vargas, ao ser incorporada ao calendário político e trabalhista. A formalização como feriado nacional foi consolidada pela Lei nº 662, de 1949, posteriormente atualizada em 2002.
Mais de um século depois, a redução da jornada de trabalho segue no centro do debate nacional. Em abril deste ano, o governo federal encam
inhou ao Congresso o projeto de lei nº 1.838/ 2026, que propõe reduzir a carga semanal de trabalho de 44 para 40 horas e garantir dois dias de descanso remunerado.
A proposta tramita em regime de urgência e se soma a outras iniciativas em discussão. Entre elas, a da deputada Erika Hilton (PSOL), que prevê jornada de 36 horas semanais com três dias de folga, e a do deputado Reginaldo Lopes (PT), com o mesmo limite de horas, mas com a implementação gradual ao longo de dez anos.
A tramitação avança na Câmara dos Deputados. A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) aprovou a admissibilidade do texto, e uma comissão especial foi estruturada para analisar o mérito. A expectativa é que a matéria seja levada ao plenário ainda em maio.
O tema, no entanto, divide opiniões. Na última quarta-feira (29), a Confederação Nacional da Indústria (CNI) apresentou um manifesto ao presidente da Câmara, Hugo Motta (REPU-PB), alertando para possíveis impactos econômicos. Segundo a entidade, a redução da jornada pode elevar os custos com trabalhadores formais em até R$ 267 bilhões por ano, além de afetar a competitividade e a geração de empregos.
Enquanto o debate avança em Brasília, a pauta também mobiliza trabalhadores em diferentes regiões do país. Em Ouro Preto, o 1º de maio será marcado por um ato público organizado por movimentos sociais e estudantis.
A concentração está marcada para às 9h, no Largo da Alegria, com caminhada até a Praça Tiradentes. Entre as principais reivindicações estão o fim da escala 6X1 sem redução salarial, a ampliação do tempo para estudos e o fortalecimento das negociações coletivas.
Sabrine Varjão é graduanda em Jornalismo pela Universidade Federal de Ouro Preto. Natural de São Paulo (SP), se apaixonou pela comunicação na Região dos Inconfidentes. Suas principais áreas de interesse são política, cultura e esportes.