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Cineasta e aluno da UFOP lança “Andança” e encerra trilogia Arrabalde

Diretor compartilha influências cinematográficas e a mensagem de seu novo filme, que quebra estereótipos sobre o cotidiano das comunidades periféricas

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Divulgação

O filme faz parte da “Trilogia Arrabalde”, iniciada com “Pandeminas” e seguida por “Arrabalde Corsário”.

“Andança” narra a história de Matheus, um jovem jogador de futebol do bairro Morro das Pedras, em Belo Horizonte, que busca realizar o sonho de tornar‑se atleta profissional.

As filmagens, assim como nos outros curtas da trilogia, ocorreram no mesmo bairro e envolveram a colaboração de moradores tanto na produção quanto na figuração.

Ben Hur Nogueira é cineasta de Belo Horizonte, conhecido no universo cinematográfico pelo olhar sensível, representativo e realista sobre as comunidades. Ele, que possui o mesmo nome do protagonista do clássico do cinema, tem 23 anos e é estudante de Ciência da Computação na Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP). Atualmente, concilia a trajetória acadêmica com a paixão pelas telonas.

Ben Hur é escritor, colunista e crítico de cinema, tendo publicado mais de 30 artigos na Mídia Ninja desde 2022. Ele também é um dos idealizadores do Prêmio Marku Ribas e co‑criador da Mostra de Cinema Preto Periférico de Ouro Preto, consolidando‑se como voz relevante no debate cinematográfico.

Em conversa com a Rádio Itatiaia Ouro Preto sobre o terceiro projeto, Ben Hur explica o que o levou a pensar nesses três curtas como uma trilogia e qual é o fio narrativo que une “Pandeminas”, “Arrabalde Corsário” e “Andança”.

"Eu acredito que o grande fio narrativo entre as três obras é basicamente a reflexão que cada uma traz consigo, em termos de desenvolvimento. Pandeminas é um filme um pouco mais agressivo, Andança tem uma linguagem mais defensiva, enquanto Arrabalde Corsário é um filme que fala muito sobre memória," mencionou.

Para desenvolver “Andança”, Ben Hur inspirou‑se em filmes como “Garrincha, a Alegria do Povo” e “Tostão” buscando referências no documentário esportivo e na cultura brasileira. Ele também comentou sobre o processo de criação, destacando o aprendizado adquirido com essas inspirações:

"Andança é um filme sobre a rotina da periferia, quando a gente está trabalhando com sonhos, com sonhos que são buscados. E eu acredito que os três filmes são unidos, porque os filmes foram produzidos no mesmo lugar, assim, sabe? É o primeiro filme que estou produzindo que não tem minha família como protagonista, mas é uma outra família. E, assim como a música, assim como o próprio futebol, quanto mais você pratica, mais você descobre o que tem aptidão para desenvolver," alegou.

O cineasta também comentou as diferenças entre seus três filmes. Ele mencionou que “Pandeminas”, em sua visão, foi um projeto com risco de falha e enfrentou problemas técnicos, como falhas na sincronização de áudio e legendas. Apesar das dificuldades, o curta obteve reconhecimento e chamou a atenção do público.

Após esse projeto, Ben Hur passou a investir em uma linguagem mais naturalista, presente em “Arrabalde Corsário” e, agora, em “Andança”. Segundo ele, o título de cada obra reflete sua essência, mas o impacto varia conforme a percepção individual de cada espectador.

Por fim, o diretor revelou o que espera que o público sinta e reflita ao assistir “Andança”

“Eu acredito que o público tende a sentir um pouco de sensibilidade com a história dos personagens, né? É um filme que tem uma linguagem muito naturalista, é um filme que traz uma realidade, assim, que quebra estereótipos. Uma coisa que eu busco fazer muito na minha obra é quebrar o estereótipo que se tem do homem periférico. Até em termos de masculinidade também, de tirar esse foco, assim, que a gente tem dessa origem escravocrata de que o homem negro é violento, é agressivo. E por mais que a gente sofra muito com esses estereótipos. Trazer essa naturalidade, trazer essa ideia de como o ambiente periférico se comporta em muitas vertentes, acho que é uma necessidade pessoal minha. De mostrar para o mundo que a periferia também é uma vitória”

O material ainda não tem data de lançamento.

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Antônia Veloso tem 25 anos, é ouro-pretana e estudante de jornalismo na Universidade Federal de Ouro Preto. Se interessa por diversas temáticas, como jornalismo cultural, jornalismo político e jornalismo econômico.