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Casarão no Centro Histórico de Ouro Preto revela grafismos ligados à presença africana

Pesquisadores identificam desenhos e símbolos preservados em imóvel do século XVIII durante obras no Centro Histórico da cidade

Por
Leonardo Klink

Um casarão localizado na Rua Conde de Bobadela, antiga Rua Direita, nº 134, no Centro Histórico de Ouro Preto, revelou um conjunto raro de grafismos e desenhos associados à presença africana e ao período da escravidão no Brasil.

Os registros foram identificados durante uma reforma iniciada em 2017, no porão de um sobrado de cerca de 260 anos. O espaço, de difícil acesso e escuro, fica no subsolo do imóvel e teria contribuído para a preservação das marcas ao longo do tempo.

De acordo com estudo do historiador e arqueólogo Leonardo Lopes Villaça Klink, pesquisador da UFMG, o imóvel é uma construção da segunda metade do século XVIII. As inscrições incluem figuras humanas, animais, embarcações, formas geométricas e outros elementos que podem estar relacionados a memórias, práticas culturais e formas de resistência de africanos escravizados e seus descendentes.

A pesquisa aponta que o sobrado da Rua Conde de Bobadela, nº 134, deve ser analisado dentro do contexto da escravidão urbana em Vila Rica, atual Ouro Preto. A hipótese dos pesquisadores é que os desenhos tenham sido produzidos entre os séculos XVIII e XIX por pessoas submetidas à escravidão ou por seus descendentes. Ainda não há confirmação sobre a autoria individual nem sobre a data exata de cada inscrição.

O local foi cadastrado no Sistema Integrado de Conhecimento e Gestão do Iphan com a denominação “Inscrições Afrodiaspóricas”. O imóvel ainda não está aberto à visitação. A expectativa é que novos estudos e medidas de preservação orientem o futuro uso do espaço.

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Bruna Truocchio é repórter da Rádio Itatiaia Ouro Preto e apresentadora do jornal local. Formada em Jornalismo pela Universidade Estácio de Sá, tem pós-graduações em Filosofia e Marketing Digital.